Imagem ilustrativa da imagem O Pai-Nosso de Marcelo Belinati


O prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, tem sido alvo de críticas nas redes sociais por ter rezado a oração do Pai-Nosso na sua primeira reunião de secretariado.

Os leitores da Avenida Paraná sabem que este colunista jamais se furta a fazer críticas que entenda como necessárias aos políticos e autoridades em geral. Mas criticar o Pai-Nosso de Belinati parece-me um gesto inapropriado, desrespeitoso e, acima de tudo, oportunista.

Além de ser um poema de profundo significado existencial, a oração que Jesus Cristo ensinou é um símbolo de união e ecumenismo em todas as culturas e sociedades. Não há nesta prece nada que não possa ser proveitosamente adotado pelos praticantes de qualquer religião existente, inclusive o ateísmo.

Ah, muitos homens mataram, roubaram e mentiram em nome de Deus? Sim, fora de dúvida. Mas gostaria de lembrar que os dois maiores assassinos da história da humanidade — Mao (70 milhões de vítimas) e Stálin (20 milhões de vítimas) — eram ateus. Não estou dizendo que todo ateu é assassino, de maneira alguma; apenas observo que essa história de comparar a índole de religiosos e não-religiosos pode acabar gerando surpresas.

Se deixássemos de rezar porque, em algum momento da história, outras pessoas fizeram uso hipócrita ou demagógico da religião, simplesmente deveríamos parar de orar para sempre. O Pai-Nosso, acima de tudo, expressa o desejo de misericórdia que habita o coração de todos os seres humanos, mesmo aqueles mais céticos e amargurados. Quando repetimos em voz alta as palavras que Jesus Cristo nos ensinou no Sermão da Montanha, estamos, na verdade, afirmando que a principal lei do universo é o perdão.

Quando necessário, criticarei Marcelo Belinati. Mas, pelo Pai-Nosso, eu o cumprimento. O Estado é laico, mas as pessoas têm fé.

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