O jardineiro da manhã
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de julho de 2018
por Paulo Briguet 

Crianças brincam de amarelinha no jardim da manhã.
Dom Albano dizia que este lugar é "a terra santa de Londrina". Ali, há 60 anos, Madre Leônia Milito e dom Geraldo Fernandes deram início à Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret. A casa de Madre Leônia, transformada em espaço de memória, faz-me pensar naquela que já santa no coração de muitos fiéis londrinenses.
De manhã, ao acordar, vejo o nascer do sol pela janela e digo em voz baixa:
Madre Leônia, rogai por nós.
Não por acaso, o Livro de Gênesis mostra os nossos primeiros pais como habitantes de um jardim. O jardim não é uma criação direta da natureza, como uma floresta ou uma montanha; ele é fruto da vontade e do cuidado de alguém. Um jardim, para ser jardim, não pode ser abandonado. É necessário protegê-lo. O mesmo vale para a nossa cidade, a nossa casa, a nossa alma.
O jardim das minhas manhãs tem árvores, tem flores, tem pássaros, tem um gramado e folhas secas. Tem um caminho de paralelepípedos por onde gosto de passar. Nas paredes, tem uma via-crúcis para narrar os passos de Jesus da morte à ressurreição.
Imagino Madre Leônia caminhando por aqui. Ela certamente ficaria feliz de ver as crianças pequenas na creche, as crianças maiores na escola, o parquinho infantil, o asilo dos velhinhos. Depois, Madre Leônia pararia por alguns momentos diante da gruta de Nossa Senhora de Lourdes, do nicho de Nossa Senhora das Graças, das imagens de São Vicente de Paulo e de Santo Antônio. E se alegraria ao encontrar suas filhas no Santuário Eucarístico Mariano, na igreja, na missão, na missa. Por todos os lados, haverá sementes de bem, de cuidado, de proteção.
Nos dias em que estou triste ou desanimado, vou até o jardim e penso que Madre Leônia diria se me encontrasse no caminho:
A vida é feita para ser vivida e ser vencida. Poucas coisas resistem àqueles que sabem vencer-se.
As crianças ouviriam sua voz suave:
Deus escolheu aquele que é fraco. Ocultou muitas coisas aos sábios e as revelou aos pequenos.
Nos dias em que eu estivesse revoltado ou preocupado, ela me levaria até a capela da reconciliação, instando-me a rezar mais um pouco, antes de voltar à luta com as palavras, luta de todos os dias. Ensinaria:
Com paciência tudo se consegue. Toda aflição do corpo e da alma é um mal do exílio. É a mestra da vida. A dor será a escada para a conquista do Céu.
O jogo da amarelinha tem por destino o Céu. Observo a foto e busco compreender o que o jardineiro de todas as manhãs quer de mim hoje. Talvez seja esta crônica...
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