O historiador que virou à direita
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quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Paulo Briguet 
Eu não poderia deixar de compartilhar com vocês, caros sete leitores, o texto em que meu amigo Gabriel Giannattasio, historiador e professor da UEL, fala com sinceridade sobre sua guinada pessoal em direção ao conservadorismo político. São palavras lancinantes, escritas com o coração nas mãos:

"No início dos anos 1980 o meu peito era do contra, contra a ditadura e em defesa das liberdades. Me engajei na criação do PT e votei nos candidatos deste partido em todas as eleições até 1989.
Depois disso o meu peito se recusou a passar procuração a quem quer que fosse. Com o fim da ditadura militar, fui me afastando ideologicamente do partido, por entender que havíamos, juntos, cumprido nossa função histórica. Mas as lições daqueles tempos, de intenso aprendizado, me permitiram reconhecer o DNA da engenharia política dos partidos de esquerda: apostar na divisão da sociedade e agir intensificando os conflitos, de classe, de raças, familiares e sexuais. Foram décadas de propagação da mesma mensagem: 'Nós contra eles'.
Quase quinze anos de poder, inspirados num pensamento de matriz marxista, nos levaram à situação em que nos encontramos hoje: radicalmente divididos, intratáveis, belicosos, ressentidos, intolerantes.
A política que, insistentemente, apostou na fratura, na divisão, no impasse, na ruptura institucional e no ódio foi a principal responsável pela produção do fenômeno chamado Jair Messias Bolsonaro. Não fosse Jair, ele teria um outro nome qualquer, mas com características muito semelhantes à do perfil político de Bolsonaro.
Chegamos a uma situação-limite. Como docente de um curso de História numa universidade pública, sou testemunha ocular da hegemonia do pensamento de esquerda nos ambientes acadêmicos e luto para evitar que o microcosmos no qual estou inserido se torne modelo de sociabilidade na vida dos brasileiros.
Precisamos uma nova força política, capaz de pacificar a sociedade, conduzindo os distintos interesses de grupo, de classes, de etnias, no sentido da construção de um novo projeto de Brasil. Para isso, há dois caminhos possíveis. De um lado, entregar o país àqueles que nos conduziram ao estado em que nos encontramos e que prometem nos levar para infernos ainda piores; de outro, um fenômeno político inédito cujo destino ainda é incerto.
Aqueles que conduziram a nação nos últimos 15 anos nos deram as piores lições e, não bastasse, mostraram-se incapazes de um único gesto de desculpas. Pior, responsabilizam os outros pelos seus erros. Não é isto que eu ensino para o meu filho. Digo a ele: 'Tenha um ato de grandeza, assuma os seus erros'. Há nobreza em dizer: 'Errei'. Mas isso a esquerda nunca fez e nunca fará. Basta!
Passados quase 30 anos da última eleição da qual participei, é chegada a hora de experimentarmos a grande onda do conservadorismo. Há três décadas ajudei a criar o monstro que nos aflige; agora contribuirei para que nos livremos dele.
Alguns estranharão o meu gesto. Não importa. Na encruzilhada histórica, virei à direita para reencontrar o Brasil."
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