O grande incêndio do Brasil
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de maio de 2018
por Paulo Briguet 

Todas as manhãs começo o dia fazendo a oração que Nossa Senhora ensinou às crianças em Fátima: "Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu e socorrei principalmente aquelas que mais precisarem".
Ontem, logo depois de dizer a antiga oração, li a notícia sobre o incêndio e desabamento do prédio invadido em São Paulo. Meu coração imediatamente se encheu de dor, angústia e compaixão pelas vítimas de um crime tão hediondo. Quando vi as imagens do prédio em chamas, e depois as ruínas do velho prédio da Polícia Federal, senti aquele nó na garganta que Graciliano Ramos tão bem descreve em uma de suas narrativas.
E a minha angústia se deve a uma conclusão inescapável: o prédio que pegou fogo e desabou em São Paulo pode ser a imagem do Brasil no futuro próximo. Não usarei aqui o velho clichê de que ocorreu uma "tragédia anunciada"; o que houve foi muito mais do que anunciado. Estava escrito, descrito, desenhado, profetizado e demonstrado em praticamente todos os acontecimentos da vida nacional, desde que o cadáver de um homem torturado foi visto, há 16 anos, numa estrada de terra da Grande São Paulo. A morte daquele homem foi o crime fundador do incêndio que vem consumindo a alma do nosso país.
Na noite anterior ao incêndio, a PGR denunciou Lula e outros petistas de alto coturno por mais um escândalo milionário. Quando estes mesmos denunciados se encontravam acampados no governo, sem imaginar que um dia acampariam em Curitiba, o incêndio já consumia o país com uma fúria inominável. Mas as chamas não se limitaram a consumir recursos públicos: elas também devastaram a mente e o espírito das pessoas, transformando legiões de militantes até mesmo, acreditem, gente de boa fé em veículos da mentira, da impostura e da destruição. Nesse Brasil do pesadelo, que alguns adoram chamar de Utopia, restarão duas opções: ou você adora o crime, ou você é um golpista, um burguês, uma não pessoa. Não há terceira via.
Quando digo que o incêndio de São Paulo foi criminoso, é claro que não me refiro às famílias que invadiram a antiga sede da PF. Essas, na maioria dos casos, são apenas inocentes úteis, vítimas instrumentalizadas, dignas de compaixão e misericórdia. Estou falando dos líderes que planejam, incentivam, organizam, sustentam e justificam a monstruosa irresponsabilidade das invasões. Estou falando daqueles que se aproveitam da miséria e do desespero das pessoas para assim avançar suas agendas ideológicas e espalhar o caos. Estou falando dos psicopatas que só enxergam nas pessoas um trampolim para a conquista do poder político, para um golpe revolucionário que se realiza sobre cadáveres, como demonstram os exemplos da história.
As ruínas daquele prédio muito em breve podem ser o retrato do Brasil. Ó meu Jesus, livrai-nos do fogo do inferno.
Fale com o colunista: [email protected]


