Imagem ilustrativa da imagem O Grande Companheiro
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Em "1984", havia o Grande Irmão. Em 2017, há o Grande Companheiro. Tudo que o Grande Companheiro quer é voltar ao poder. Nada mais importa. Por isso ele não hesitará em rasgar a Constituição e convocar diretas já. Além de ser um grande entusiasta das urnas eletrônicas, o Grande Companheiro conta com comitês eleitorais já espalhados por todo o país (organizados pelos mesmos militantes que fazem greves, arruaças e ataques a inimigos do Partido).

O Grande Companheiro conta com a ajuda do Grande Açougueiro para atribuir todos os males do Brasil nos últimos 30 anos ao Grande Mordomo. Como nos romances policiais baratos, a culpa precisa ser do mordomo. Em lugar do bode expiatório, criou-se o vampiro expiatório. A diferença é que, nas culturas antigas, o bode era totalmente inocente. Já no Brasil, o mordomo vampiresco tem culpa no cartório, embora esteja longe de ser o bandido principal. Trata-se um integrante, não do chefe da quadrilha, ao contrário do que pretende fazer crer o Grande Açougueiro. Sim, aquele mesmo que foi passear em Nova York depois de conversar com o Grande Mordomo no porão do palácio. Pessoa confiável, não?

O Grande Companheiro sabe muito bem que o país se encontra hoje numa situação revolucionária. Mas já vai longe o tempo em que as revoluções se faziam com golpes de Estado, manu militari; não há mais Palácio de Inverno a tomar. A revolução moderna se faz manu militanti, através da corrupção, da mentira, da fraude e da eletrônica. Para retomar o poder, o Grande Companheiro aposta na inversão da realidade, da mesma forma que fez o Grande Irmão em "1984":

"Saber e não saber, ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica, repudiar moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da democracia e que o Partido era o guardião da democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsciência e então tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. Até para compreender a palavra ‘duplipensar’ era necessário usar o duplipensar."
Note como o parágrafo acima, escrito por George Orwell há quase 70 anos, explica perfeitamente o método do Grande Companheiro e de seus militantes amestrados. Eles também são peritos em transformar amor em ódio, verdade em mentira, ignorância em força, liberdade em escravidão, lealdade em submissão, democracia em socialismo, Brasil em Venezuela.

Sorria: o Grande Companheiro está de olho em você.

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