O golpe na Venezuela
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de março de 2017
por Paulo Briguet 
"Que é a verdade?", perguntou Pilatos a Jesus Cristo, antes de mandá-lo para a cruz. O governador romano foi o primeiro relativista moral: ficou em cima de muro e não teve a humildade de reconhecer o que estava diante de seus próprios olhos. Indiferentes a tudo que se passou depois, os homens continuaram cometendo o mesmo erro de Pilatos, e até hoje se negam a admitir a estrutura da realidade.
Primeiro de abril, como você sabe, é Dia da Mentira. Há muitas brincadeiras com a data, mas no fundo o assunto é sério. Como ensinava o professor José Monir Nasser, a palavra "mentira" tem um parentesco muito íntimo com a palavra "mente". Acreditamos nas coisas que criamos em nossa própria mente e ignoramos o que acontece diante de nossos olhos. A primeira e pior mentira é aquela que contamos a nós mesmos. Assim nasce a ideologia.

O diabo da mentira é que ela nunca vem sozinha. A gente começa com um pequeno autoengano e pode terminar mandando o Filho de Deus para a tortura e a morte. Vejam o que aconteceu ao nosso país: começaram prometendo um reinado de paz e amor, acabaram destruindo a cultura, a economia e o futuro do povo brasileiro.
Na última quinta-feira, aconteceram dois fatos na América Latina que servem para medir o nosso comportamento diante da realidade. Em Curitiba, o juiz Sergio Moro condenou o ex-deputado Eduardo Cunha a 15 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ué, mas a esquerda não dizia que Cunha e a Lava Jato estavam mancomunados para dar um "golpe" no PT? A pergunta dos militantes era sempre a mesma: "E o Cunha? E o Cunha?" Houve um ator-colunista que publicou um artigo inteiro com uma única expressão: "Fora, Cunha!" Agora ele está dentro da prisão. O Cunha, não o ator.
O segundo fato, que a meu ver não teve a repercussão merecida, foi o fechamento do Congresso venezuelano por Nicolás Maduro. Nas últimas eleições legislativas venezuelanas, o povo deu vitória à oposição. Maduro não gostou disso e substituiu o Congresso pelo Supremo Tribunal, aliado do governo. Se isso não é um golpe de Estado, o que mais pode ser?
Durante meses, ouvimos a esquerda brasileira gritar que Dilma havia sido vítima de um "golpe". Agora, quando um golpe de verdade acontece, essa mesma esquerda se fecha em silêncio cúmplice. É dever do povo brasileiro denunciar a ditadura venezuelana, até porque o governo Nicolás Maduro foi abastecido com dinheiro do Brasil. Os partidos, políticos e empresários que contribuíram para a tragédia venezuelana precisam ser banidos da vida pública nacional. Com golpista, não tem conversa. Eles vivem da mentira, pela mentira, na mentira. E ainda são capazes de perguntar, diante de um pobre país em ruínas: "Que é a verdade?"
Fale com o colunista: [email protected]


