O fruto do trabalho e o trabalho do furto
Minha mãe, uma professora de história com grande acuidade psicológica, costumava dizer que existem dois grupos de pessoas: as que acham que devem algo ao mundo e as que acham que o mundo lhes deve algo.
Os pertencentes ao primeiro grupo realizam trabalhos produtivos e tentam se tornar úteis às outras pessoas; através do serviço, praticam o mandamento do amor ao próximo. Geram renda, riquezas, empregos, conhecimento e confiança.
Os membros do segundo grupo, por considerarem que a estrutura da realidade é essencialmente enganosa e nociva, por acreditarem que o universo conspira contra eles, querem extrair do mundo, se necessário através da força, os bens e confortos dos quais se julgam merecedores. Geram discórdia, briga, violência, roubo, mentira e morte.
O primeiro grupo é norteado pela caridade, pela realidade, pelo trabalho.
O segundo grupo é norteado pela inveja, pela mentira, pelo egoísmo.
Há membros dos dois grupos em todas as classes sociais, em todas as faixas etárias, em todos os ambientes da sociedade.
A maioria absoluta das pessoas pertence ao primeiro grupo: são aqueles que vivem do fruto do trabalho.
Mas, na sociedade brasileira, há um número cada vez maior de pessoas que passaram ao segundo grupo: vivem do trabalho do furto. Sua existência define-se por subtrair o que os outros produzem.
Como um cidadão supostamente comum se transforma em bandido e passa a saquear lojas e supermercados? Como um político ou servidor público se transforma em corrupto? Isso geralmente acontece quando há a certeza da impunidade. Quando não há ninguém para impedir. Quando as instituições foram arruinadas. A linha que separa civilização e barbárie é mais tênue e frágil do que imaginamos.
Não é por acaso que os mentores intelectuais do segundo grupo tenham uma aversão tão acentuada à polícia, à justiça, à lei e à ordem.
Quando você encontrar alguém que defende o fim da Polícia Militar e da Operação Lava Jato, lembre-se da situação do Espírito Santo nos últimos três dias. É a imagem perfeita do mundo dominado pelos ideólogos da inveja e do crime. Alguns deles chamam isso de revolução.
O Espírito Santo é o Brasil amanhã.





