Imagem ilustrativa da imagem O Evangelho segundo Barrabás
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"Em meu começo está meu fim."
(T. S. Eliot)

Barrabás estava sozinho na cela. Desta vez não era mais um preso político, mas um preso comum.

A primeira visitante foi sua mulher. Nada lhe disse. Estava triste até morte, por ter seu nome tão utilizado — até para justificar o injustificável — e na verdade tão pouco recordado.

O segundo visitante foi o companheiro, assassinado há muitíssimo tempo, depois esquecido. Perguntou a Barrabás por que não usara a velha caneta (achada no bolso do companheiro morto) naquele dia tão importante, preferindo a caneta dos homens ilustres. Ficou sem resposta.

O terceiro visitante foi o delegado. Perguntou-lhe se, como da primeira vez, estava sendo bem tratado, se não lhe faltava nada, se agora havia um lugar confortável onde ele pudesse repousar. Não quis falar sobre traição.

O quarto visitante foi o comandante. "Já estive preso também", disse a Barrabás. "Pensei que a história me absolveria, mas na verdade fui condenado." E contou ao prisioneiro que todas as noites ouvia as vozes dos afogados e dos fuzilados.

O quinto visitante foi o santo. "Sei que você ficou com ciúme quando eu visitei o meu irmão operário, sei que você me criticou, sei que você andou lado a lado com meus inimigos, sei que você não me perdoou por derrotar o Império do Mal. Mesmo assim, estou aqui, porque desejava olhar no fundo dos seus olhos. Você sabe o que fez, Barrabás?"

O sexto visitante foi o trabalhador. "Por que você me enganou dessa forma? Por que me prometeu um mundo melhor e só me entregou ilusões e amarguras? Por que disse que era responsável por tudo aquilo que eu mesmo conquistei com meu suor e meu trabalho?"

O sétimo visitante foi o governador. "Depois que fiz o meu último voo, tudo começou a se precipitar de maneira alucinante. Eu me lembro bem, era um dia nublado e sombrio. De certa maneira, parece que a minha queda precedeu a sua. Olhe bem nos meus olhos: Você está lembrado de mim?"

O oitavo visitante foi o juiz. "Eu também sofri a queda, com a diferença que fui precipitado ao mar. O que havia em mim de tão perigoso para sofrer esse destino? Só Deus tem a resposta, Barrabás."

O nono visitante foi o prefeito. "Como vai, meu amigo? Por que fala tão pouco de mim? Por que o meu nome raramente foi pronunciado nestes anos todos? Onde estão as suas lágrimas? Está lembrado de meu corpo atravessado no meio do caminho?"

Ao pronunciar essas palavras, o nono visitante mostrou a Barrabás outros sete, que o acompanhavam na visita. Estavam todos silenciosos, mas tinham os olhos em chamas.

Então chegou o décimo e último visitante.

"Bar-Abbas, o Filho do Homem! Eis que estou aqui. Mais uma vez, vós quisestes a liberdade em meu lugar. Por quê, Barrabás? Por que usastes a minha boa nova? Por que vos unistes àqueles que me negam? Bar-Abbas, até quando? Não aprendestes com Pilatos? EU SOU..."

Então acabou o horário de visitas.

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