O dia em que salvamos a Laika
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Paulo Briguet 

Quando eu era menino igual a você, Pedro, gostava muito de astronomia e exploração espacial. Mas, aos sete anos, fiquei bastante triste quando li numa revista a história da cachorrinha Laika, pioneira do programa espacial soviético.
Laika era uma vira-lata que vivia nas ruas de Moscou; os cientistas russos a escolheram como primeiro ser vivo enviado ao espaço. Ela foi selecionada entre outros 38 cães por seu temperamento dócil e calmo.
A cachorrinha moscovita foi lançada à órbita no dia 3 de novembro de 1957, a bordo da espaçonave Sputnik II. Ela ficou numa pequena cabine, dotada de oxigênio, além de água e ração em forma gelatinosa. Desde o início sabia-se que a viagem de Laika não teria volta. No entanto, a expectativa era que Laika permanecesse viva por alguns dias, até que a cápsula espacial voltasse à atmosfera, desintegrando-se. Infelizmente, a morte veio antes. O governo soviético escondeu o fato de que Laika morreu apenas 10 horas após a partida, devido a uma falha no sistema térmico da espaçonave. Hoje se sabe que houve pressa dos cientistas a fim de que o lançamento coincidisse com os 40 anos da Revolução Russa.
Laika hoje é considerada uma heroína das viagens espaciais. Na Rússia, há estátuas em sua homenagem. Mas essa história me deixava triste, Pedro. Por que eles deixaram a cachorrinha morrer desse jeito? Na época, eu pedi a Jesus que me fizesse voltar no tempo para salvar a Laika. E Ele me atendeu!
Na noite de Natal de 1977, quando morávamos em São Paulo, o nosso vizinho grego fugiu do Brasil após dar um golpe na praça. Levou a mulher, as filhas (minhas amiguinhas Kathy e Lia), o dinheiro e os bens, deixando o apartamento vazio. Ou melhor, quase vazio: ficou para trás apenas uma cachorrinha chamada... Laika.
Até hoje me lembro do olhar triste da cachorrinha abandonada. Ela chorava baixinho, pedindo a nossa ajuda, diante da porta. Nós a acolhemos em casa naquela noite. Fiz um pedido especial ao meu querido tio Álvaro, que passava o final de ano conosco em São Paulo, e ele decidiu adotar a Laika. Colocou-a dentro de sua Decavê azul-celeste e levou-a para viver em sua casa na Rua Bernardino de Campos, em Araçatuba.
Durante alguns anos, Laika foi uma alegria para os meus tios e primos. Veio a falecer numa triste manhã, quando escapou para a rua e foi atropelada por um carro. Meu tio Álvaro chegou a tempo de vê-la dar o seu último olhar: era um olhar de agradecimento.
Eu não só contei a ninguém, Pedro, que a Laika da espaçonave e a Laika do vizinho grego eram a mesma cachorrinha. Conto apenas a você - e aos meus sete leitores.
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