Sabem por que um cronista nunca vai ganhar o Nobel de Literatura? Primeiro, porque os autores do gênero raramente escrevem coisas grandiosas. Depois, porque a crônica é um gênero curto: certos acontecimentos simplesmente não cabem na crônica. Por exemplo: para contar a saga do Cine Teatro Ouro Verde seria necessário um livro, talvez mais de um. Por isso hoje quero dizer algumas coisas que ficaram faltando na minha primeira crônica após a inauguração do Ouro Verde (Avenida Paraná, 3 de julho).

Sobre a salvação do Ouro Verde em 1978: como já explicou o jornalista Walmor Macarini em artigo publicado na Folha, o cinema inaugurado em 1952 estava prestes a ser vendido para o Grupo Itaú e corria o risco de ser demolido ou descaracterizado para virar agência bancária. No texto anterior, ressaltei o papel do artista plástico e poeta Cleto de Assis na operação para evitar esse incêndio sem fogo no nosso querido Ouro Verde. Na época, Cleto era assessor do Ministério da Educação.

Faltou dizer que a primeira pessoa a articular a salvação do Ouro Verde foi o próprio Walmor Macarini, então redator-chefe e diretor da Folha de Londrina. Walmor se empenhou de corpo e alma na causa e envolveu o jornal na luta ao fim vitoriosa.

Outros personagens fundamentais na história, na época, foram o reitor da UEL, Oscar Alves; o ministro da Educação, Ney Braga; e o governador do Paraná, Jayme Canet. Sem o empenho e a vontade desses homens, o Ouro Verde teria virado banco. Sem o Walmor e a Folha, idem. Todos os que amam o Ouro Verde têm uma dívida de gratidão com eles.

Não sou apoiador do atual governador Beto Richa; em várias ocasiões o critiquei duramente e o farei de novo quando julgar necessário. Mas é preciso reconhecer que, na reconstrução do Ouro Verde, Richa cumpriu seu dever e honrou sua palavra. Por uma questão básica de bom senso, a reinauguração do Ouro Verde não era o momento adequado para vaiá-lo ou hostilizá-lo.

Faltou também dizer que o escritor e jornalista Nilson Monteiro, assessor do governo do Estado, teve um papel essencial no renascimento do Ouro Verde. Sou testemunha de sua paixão por nossa cidade e nossa cultura. Ele fez pulsar o coração da Fênix. Obrigado, meu amigo.
Sobre o policiamento em torno do Ouro Verde no dia da reinauguração, bem, digamos que foi algo extremamente necessário. Os gatos-pingados que queriam fazer arruaça no momento solene na verdade não amam o Ouro Verde; amam seus próprios privilégios, que chamam de direitos. Para se ter uma ideia, uma das manifestantes cuspiu no rosto de um dos convidados para o evento. Imagine-se o que ela não faria lá dentro do teatro.

Para finalizar, gostaria de cumprimentar a equipe jornalística da Folha de Londrina pela bela cobertura da reinauguração do Ouro Verde. Vocês também habitam o coração da fênix.

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