Imagem ilustrativa da imagem O cavalo branco de Napoleão
| Foto: Jim Watson/AFP



"Qual a cor do cavalo branco de Napoleão?" Meu pai gostava muito de fazer essa pegadinha com as crianças. É lógico que todas acertavam a resposta, porque as crianças costumam ter um respeito muito grande pela realidade dos fatos (o que não as impede de ser imaginativas). Lembrei-me da pergunta de meu pai quando assisti ao vídeo sobre o balão vermelho. Nesse vídeo, que circula há algum tempo na internet, uma moça tem um balão vermelho nas mãos, mas de repente chegam outras pessoas e dizem que o balão é verde, azul, branco e até mesmo inexistente. Um dos personagens assegura: "Eu estudei com um professor de Teoria das Cores, que é doutor em Cores, e ele diria que esse balão é verde." Mas o balão da moça é vermelho, assim como o cavalo de Napoleão é branco, mesmo que ninguém admita isso. Mesmo que os "especialistas" digam o contrário. Não foi à toa que Chesterton previu: "Chegará um dia em que precisaremos provar que a grama é verde".

Quando um grupo de pessoas — reunidas em um partido, um sindicato, uma universidade, uma emissora, uma seita ou uma rede social — cismam que o balão vermelho é verde e que o cavalo branco de Napoleão é castanho, a coisa mais difícil do mundo é fazê-las sair do autoengano coletivo. Isso também vale para as verdades morais. Quando impera o relativismo — a crença de que não existe uma verdade, mas um número incalculável de verdades em conflito —, o ato de matar bebês ou exterminar burgueses pode se tornar não apenas aceitável, como até obrigatório.

Além do relativismo moral, o nosso tempo sofre de um outro tipo de doença flagelante: o ódio à estrutura da realidade. Se os fatos não correspondem à expectativa dos "formadores de opinião", que supostamente detêm a visão correta do mundo, pior para os fatos. Eles serão torturados até que confessem seus crimes. E a verdade, coitada, não conta com nenhum movimento social para proteger seus direitos.

Diante do resultado das eleições americanas, que pegou de surpresa a vasta maioria da mídia nacional e internacional, deixando os "especialistas" em catatônica depressão, o que se vê é uma produção em massa de desculpas para encobrir o fato central: a vitória de Trump decepcionou aqueles que estavam mais empenhados em torcer para a candidata Clinton do que em analisar o que realmente pensa o povo da maior democracia do planeta. É uma falta de humildade vergonhosa!

Donald Trump jamais foi o candidato dos meus sonhos. Mas ele lutou corajosamente contra um sistema de dominação que nos levaria ao abismo. Resta saber se continuará lutando. Se o fizer, pode passar à história como um novo Ronald Reagan. Eu preferia Ben Carson, mas não se pode ganhar todas.

Bom mesmo é que ontem, dia em que os EUA conheceram seu 45º presidente, eu fiz nove anos de casamento com a Rosângela e me sinto mais rico que o Trump.

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