Imagem ilustrativa da imagem O Carnaval do IPTU
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Não sou contra o Carnaval; sou contra o Carnaval com dinheiro público.
Não sou apenas contra o Carnaval com dinheiro público; sou contra o Carnaval com dinheiro público em tempos de Super-IPTU.

Não sou apenas contra o Carnaval com dinheiro público em tempos de Super-IPTU; sou contra o Carnaval com dinheiro público em tempos de Super-IPTU e sem segurança.

Como membro do Conselho Municipal de Cultura, sinto-me profundamente envergonhado. Não posso mais fazer parte desse bloco. Isso é folia com o dinheiro suado do povo. Pode ser legal; jamais será moral.

Para a maioria dos londrinenses, não haverá Carnaval — e sim Carnêval.

A situação se torna mais grave, a meu ver, porque ao mesmo tempo em que a Prefeitura assegurou R$ 200 mil para a realização de projetos carnavalescos, contingenciou emendas para a Guarda Municipal (R$ 1,2 milhão), para a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (R$ 1,5 milhão) e para a reforma da Biblioteca Municipal de Londrina (R$ 2 milhões).

Para você, o que deve ser prioridade: a segurança pública ou a folia? A comida na mesa das pessoas ou a folia? O patrimônio cultural ou a folia?

Uma das consequências mais graves da ideologia é o que Eric Voegelin chamava de perda da realidade. De forma assustadora, as pessoas gradativamente vão perdendo o senso de proporções e a medida das coisas. Mesmo aquelas pessoas que não professam a ideologia — como é o caso dos nossos gestores municipais — acabam agindo de forma a construir um abismo entre o governo e a comunidade.

Numa época como a que estamos vivendo, qualquer recurso público investido em Carnaval é mais do que um desperdício: é uma afronta.

No momento em que a imensa maioria da população aperta o orçamento familiar para fazer frente ao bloco de impostos e pagar o boleto nosso de cada dia, dar prioridade ao financiamento público do Carnaval leva o cidadão comum a uma situação de revolta, perplexidade e tristeza.

Definitivamente, o Brasil não é para os fracos.

Mas, como não podemos sucumbir à tristeza e ao desânimo, como é nosso dever lutar com todas as forças pela sobrevivência nesta pátria de absurdos, eis que recorri à verve irônica de meu amigo Chico Buraco, o único compositor popular conservador do Brasil.

A meu pedido, ele compôs uma marchinha sobre o Carnaval do IPTU:

Ó abre alas, que eu quero gastar
Ó abre alas, que eu quero gastar
Com o IPTU agora eu vou ganhar
Uma bufunfa pro meu Carnavá!


Ó abre alas, que eu quero gastar
Ó abre alas, que eu quero gastar
Que o povo agora vai ter que pagar
E a folia não vai acabar!

Ó abre alas, que eu quero gastar
Ó abre alas, que eu quero gastar
E a segurança deixa esperar...
Pois não tem crime aqui neste lugar!

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