O Brasil socialista de 2022
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de setembro de 2018
Paulo Briguet 

"Minhas costas doem. Aos 54 anos já não tenho mais a mobilidade e a resistência física de outrora. É natural. Às vésperas do Natal de 2022, me permito exercitar a mente, o último bastião de liberdade de que disponho, revisitando os fatos dos últimos quatro anos e que aceleraram o processo de degradação política econômica e cultural do Brasil.
Quem poderia imaginar os desdobramentos da vitória apertadíssima de Fernando Haddad no 2º turno em 2018? Quem poderia imaginar que Jair Bolsonaro e seus filhos morreriam em um acidente de carro misterioso seis meses após a eleição? Quem poderia imaginar os indultados José Dirceu e Lula voltando ao governo, o primeiro como ministro-chefe do Comissariado do Povo para Assuntos de Segurança Nacional e o segundo como ministro-chefe do Comissariado do Povo para Assuntos Políticos?
Haddad governou por um ano e seis meses e até hoje lamentam sua morte prematura, vitimado por um infarto agudo. A vice Manuela tornou-se peça decorativa, já que a política era ditada por um Lula plenipotenciário no trato das questões políticas.
Minhas costas doem. Hoje mais que ontem e talvez menos que amanhã. Dirceu, ou melhor, o Comandante Dirceu, como é chamado hoje, cumpriu a promessa da guinada à esquerda. Em 2020, veio a tão prometida regulação das mídias tradicionais e digitais.
A extinção das polícias civil e militar no âmbito dos Estados e a federalização da segurança pública com a criação da Força Nacional e da Polícia Política progressivamente destruíram todas as liberdades individuais.
A Constituinte de 2020, convocada pela Presidenta da República, criou a República Popular do Brasil, redimensionou o país geopoliticamente em quatro grandes distritos regionais, gerenciados por Comissariados gerais distritais e praticamente eliminou as representações políticas de Estados e municípios.
Câmara e Senado foram extintos e deram lugar ao grande Conselho Legislativo do Povo, integrado por representantes dos movimentos e associações populares reconhecidos pelo recém-criado Partido Revolucionário do Povo. Voltamos ao sistema bipartidário. De um lado o Partido Revolucionário do povo; de outro, o Partido Reformista do povo. O Ministério Público e o Poder Judiciário foram totalmente remodelados. Juízes e promotores passaram a ser Comissários Judiciais do Povo indicados diretamente pela Presidenta da República.
O Partido Revolucionário do Povo legalizou as drogas, e trouxe a seus quadros as lideranças populares tidas anteriormente por criminosos pelo antigo governo burguês. Eminências pardas do PCC foram guindadas a altos cargos no partido.
Ouço o barulho da porta da cela abrindo. Vieram me buscar. Caminhando para o paço de fuzilamento, já não tenho medo, apenas me incomoda a dor nas costas nos pés e agora nos joelhos, uma última lembrança me assalta a mente, dos tempos em que frequentava o Clube do Livro e aprendia: 'Não há nada que exista na realidade de um povo que antes não tenha passado por seu imaginário'."
(Últimas palavras do ex-promotor de Justiça Luke De Held, anotadas em dezembro de 2022)
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