Imagem ilustrativa da imagem O assaltante e o samaritano
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Todos nós conhecemos a história. Um homem caminhava de Jerusalém a Jericó, quando foi atacado por assaltantes. Além de levarem tudo que ele tinha, os bandidos o espancaram, deixando-o meio morto na beira da estrada. Passou um sacerdote, fez que não viu. Passou um beato, fez que não viu. Quem o ajudou, limpando suas feridas e dando-lhe abrigo, foi um viajante considerado inimigo, um samaritano.

Conheço um país que é igual a esse homem caído na estrada. Pobre país! Foi roubado e ferido — quase morto — por uma quadrilha de assaltantes. Quem o socorreu, por um alto preço, foi alguém que muitos consideravam (e ainda consideram) um inimigo. No entanto, aí está o país, prostrado em um leito de dor e sacrifício, passando óleo e vinagre nas próprias feridas. Aos poucos, com muita dificuldade, tenta recobrar suas forças e arriscar alguns passos, ainda que vacilantes.

Jericó é a cidade de mais baixa altitude no planeta. Está situada no Vale do Jordão, 280 metros abaixo do nível do mar. Simbolicamente, portanto, caminhar de Jerusalém para Jericó equivale a descer do Céu em direção ao abismo. Exatamente o que aquele país fez durante o longo reinado dos assaltantes.

Um dia, o chefe da quadrilha de assaltantes foi preso. Imediatamente, os seus comparsas, espalhados por todo o país, protestaram a inocência do líder. Disseram que o uso de óleo e vinagre para curar as feridas do doente é um abuso, um golpe, uma armadilha daquele maldito samaritano. Falaram poucas e boas do juiz que levou à prisão do assaltante-mor. Samaritanos malditos! Chefe livre!

Mas isso não é tudo. O samaritano foi esfaqueado e quase morreu. Preocupados com o futuro da quadrilha, os cúmplices do assaltante procuraram o sacerdote e o beato que, naquele dia, se recusaram a socorrer o pobre assaltado. Espertamente, colocaram amigos do Líder em cargos estratégicos na igreja. Começaram a dar aulas sobre primeiros socorros, segurança nas estradas e uso correto de óleo e vinagre. Os objetivos do plano são claros: libertar o Chefe; prender o samaritano e o juiz; governar para sempre Jerusalém e Jericó.

No entanto, as pessoas se recusam a acreditar nos assaltantes. Não querem mais que eles se infiltrem na igreja e digam o que devemos fazer ou deixar de fazer. Querem que os sacerdotes ajudem os feridos, os doentes, os humilhados, os pobres, os quase mortos abandonados na beira da estrada.

Basta! Deixem os samaritanos em paz, para que os assaltantes não voltem a mandar em nossas vidas.