Roberto Alvim era o diretor mais respeitado do teatro brasileiro. Com 29 anos de palco e mais de 100 peças em seu currículo, ganhou todos os mais importantes prêmios das artes cênicas no País.

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. | Foto: Edson Kumasaka/Divulgação

Mas um dia Roberto adoeceu. Em sua jornada dolorosa, passou por várias internações hospitalares. Após sair de mais uma internação, chegou em casa só pensando em dormir. Mas a diarista, que tinha visto Roberto vomitar sangue e chegar muito próximo da morte, fez um pedido inesperado:

— Seu Roberto, posso fazer uma oração pelo senhor?

Ateu convicto, Roberto achou aquilo um absurdo. Mas, a pedido de sua esposa, a atriz Juliana Galdino, aceitou.

No dia seguinte, ele voltou ao hospital e recebeu uma notícia espantosa: estava curado. A doença desapareceu como que por encanto. Por milagre.

A partir daquele dia, Roberto aproximou-se de Deus. Ia diariamente a várias missas, tornou-se leitor contumaz da Bíblia e as vidas dos santos. Comungava duas vezes por dia (o máximo permitido pela Igreja). Começou a ler os livros e escutar as aulas do filósofo Olavo de Carvalho. Um novo mundo se abriu para o ex-ateu, agora convertido ao catolicismo.

No dia 6 de setembro de 2018, Roberto estava no teatro quando ouviu gritos de comemoração, vindos das coxias. Mais do que gritos: eram urros de êxtase. Aproximou-se e viu toda a equipe do teatro — atores, técnicos, auxiliares — festejar a notícia da facada em Jair Bolsonaro. “O fascista morreu!”, gritavam.

Roberto ficou furioso com a cena:

“Vocês estão comemorando a morte de uma pessoa? Isso é absurdo!”

A partir daquele momento, todas as portas do teatro brasileiro começaram a se fechar para o antes celebrado Roberto Alvim. Note-se que Roberto não havia manifestado apoio a Bolsonaro; apenas não participara da alegria pelo atentado de Juiz de Fora.

O ator principal da peça que Roberto estava encenando não dirigia mais a palavra ao diretor. O coordenador de um importante festival em São Paulo disse com todas as letras: “Você nunca mais vai pisar no festival”. Sua mulher, a excelente atriz Juliana Galdino, passou a ser bombardeada nas redes sociais. Uma campanha de assassinato de reputação contra Roberto ganhou força nos meios culturais. De diretor mais respeitado, tornou-se o artista mais odiado do Brasil.

Mas a situação ficou ainda mais difícil quando Roberto declarou que, sim, iria votar em Bolsonaro. Há doze anos, o diretor mantinha o seu próprio teatro, a Companhia Club Noir, em São Paulo. Os recursos para manter o Club Noir vinham das oficinas de teatro realizadas por Alvim e sua esposa. Do dia para a noite, eles perderam TODOS os alunos. Sem dinheiro, o Club Noir fechou as portas.

É assim que a esquerda trata todos aqueles que a desagradam: não se trata apenas de vencer o adversário, mas de destruí-lo. Como Stálin, que apagava as fotos com imagens dos desafetos, a militância quis eliminar para sempre a carreira de Roberto Alvim.

Mas, pelo visto, os inimigos de Roberto não terão sucesso. Há algumas semanas, ele recebeu uma ligação de Jair Bolsonaro. E a história da cultura brasileira poderá mudar a partir desse telefonema.

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