O artista mais odiado do Brasil
Conheça a história do diretor teatral Roberto Alvim, perseguido por apoiar Jair Bolsonaro
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sábado, 20 de julho de 2019
Conheça a história do diretor teatral Roberto Alvim, perseguido por apoiar Jair Bolsonaro
Roberto Alvim era o diretor mais respeitado do teatro brasileiro. Com 29 anos de palco e mais de 100 peças em seu currículo, ganhou todos os mais importantes prêmios das artes cênicas no País.

Mas um dia Roberto adoeceu. Em sua jornada dolorosa, passou por várias internações hospitalares. Após sair de mais uma internação, chegou em casa só pensando em dormir. Mas a diarista, que tinha visto Roberto vomitar sangue e chegar muito próximo da morte, fez um pedido inesperado:
— Seu Roberto, posso fazer uma oração pelo senhor?
Ateu convicto, Roberto achou aquilo um absurdo. Mas, a pedido de sua esposa, a atriz Juliana Galdino, aceitou.
No dia seguinte, ele voltou ao hospital e recebeu uma notícia espantosa: estava curado. A doença desapareceu como que por encanto. Por milagre.
A partir daquele dia, Roberto aproximou-se de Deus. Ia diariamente a várias missas, tornou-se leitor contumaz da Bíblia e as vidas dos santos. Comungava duas vezes por dia (o máximo permitido pela Igreja). Começou a ler os livros e escutar as aulas do filósofo Olavo de Carvalho. Um novo mundo se abriu para o ex-ateu, agora convertido ao catolicismo.
No dia 6 de setembro de 2018, Roberto estava no teatro quando ouviu gritos de comemoração, vindos das coxias. Mais do que gritos: eram urros de êxtase. Aproximou-se e viu toda a equipe do teatro — atores, técnicos, auxiliares — festejar a notícia da facada em Jair Bolsonaro. “O fascista morreu!”, gritavam.
Roberto ficou furioso com a cena:
“Vocês estão comemorando a morte de uma pessoa? Isso é absurdo!”
A partir daquele momento, todas as portas do teatro brasileiro começaram a se fechar para o antes celebrado Roberto Alvim. Note-se que Roberto não havia manifestado apoio a Bolsonaro; apenas não participara da alegria pelo atentado de Juiz de Fora.
O ator principal da peça que Roberto estava encenando não dirigia mais a palavra ao diretor. O coordenador de um importante festival em São Paulo disse com todas as letras: “Você nunca mais vai pisar no festival”. Sua mulher, a excelente atriz Juliana Galdino, passou a ser bombardeada nas redes sociais. Uma campanha de assassinato de reputação contra Roberto ganhou força nos meios culturais. De diretor mais respeitado, tornou-se o artista mais odiado do Brasil.
Mas a situação ficou ainda mais difícil quando Roberto declarou que, sim, iria votar em Bolsonaro. Há doze anos, o diretor mantinha o seu próprio teatro, a Companhia Club Noir, em São Paulo. Os recursos para manter o Club Noir vinham das oficinas de teatro realizadas por Alvim e sua esposa. Do dia para a noite, eles perderam TODOS os alunos. Sem dinheiro, o Club Noir fechou as portas.
É assim que a esquerda trata todos aqueles que a desagradam: não se trata apenas de vencer o adversário, mas de destruí-lo. Como Stálin, que apagava as fotos com imagens dos desafetos, a militância quis eliminar para sempre a carreira de Roberto Alvim.
Mas, pelo visto, os inimigos de Roberto não terão sucesso. Há algumas semanas, ele recebeu uma ligação de Jair Bolsonaro. E a história da cultura brasileira poderá mudar a partir desse telefonema.
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