Imagem ilustrativa da imagem O amor é mais forte que a morte
| Foto: Ricardo Chicarelli/29-03-2016
Dez dias antes do Natal, o médico Antonio Amarante Neto recebe o título de Cidadão Honorário de Londrina


Uma das frases mais fortes do apóstolo Paulo — e ele é um homem de frases fortíssimas — está no capítulo 15 da Primeira Carta aos Coríntios: "Pois é preciso que ele (Cristo) reine, até que tenha posto todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. E o último inimigo a ser destruído será a morte".

Conheço um homem cujo trabalho tem sido lutar pela vida e derrotar a morte. Seu nome é Antonio Plácido Peixoto do Amarante Neto, médico cancerologista que hoje à noite receberá o título de Cidadão Honorário de Londrina, concedido pela Câmara dos Vereadores.

Grosso modo, podemos definir o câncer crescimento desordenado das células de um tecido humano. De repente, por uma razão muitas vezes enigmática, as células de um órgão começam a se multiplicar de maneira caótica, sem a menor consideração pelo funcionamento do organismo. Eu diria, portanto, que o câncer é o egoísmo das células. Para combatê-lo, precisamos de guerreiros altruístas (e discretos) como o Dr. Amarante. Ao longo dos anos, quantas vidas ele salvou! Quantos males ele aliviou! Quantas pessoas em sofrimento ele confortou!

O câncer não se limita aos organismos humanos. A temível doença pode também tomar conta das estruturas de Estado, das instituições vigentes, do conjunto de uma sociedade e até mesmo do espírito de uma nação. O que é a corrupção, senão uma forma de câncer que tenta se esconder sob as carapaças político-ideológicas? Em nossa vida pública, precisamos de homens que tenham a mesma coragem, persistência e dedicação demonstrados pelo Dr. Amarante na sua luta diária pela vida.

Na vida de um homem justo, raramente conseguimos discernir milagres. Isso porque a própria existência do justo é um milagre em si mesma. Em 1995, minha mãe considerava-se uma pessoa desenganada. O diagnóstico era de câncer de mama em estágio relativamente avançado. Dr. Amarante não apenas a operou; ele foi a voz e o ombro amigo que lhe deram ânimo para vencer a doença. Aracy viveu mais 16 anos, com muita alegria e entusiasmo. Viu o casamento dos filhos e o nascimento dos netos.

Dias atrás, na hora do jantar, Pedro pediu licença para ir até a sala e olhar a árvore de Natal que havíamos acabado de montar.

"Por que você foi lá, Pedro?"

"Eu fui lá pra saber se a Vovó Aracy é igual ao anjo do Natal. E ela é."

Dr. Amarante recebe a sua homenagem dez dias antes do Natal. Dificilmente poderia haver data mais apropriada. O médico que fez tanta gente renascer — inclusive a mulher parecida com o anjo de Natal — será Cidadão de Londrina pouco antes da festa para o Menino que fez o universo renascer. Não é por acaso, Dr., que você carrega o verbo amar no próprio nome.

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