Imagem ilustrativa da imagem O acampamento da vergonha
| Foto: Shutterstock



Há muitas vergonhas no Brasil. Somos um país assassino, que mata 70 mil de seus filhos por ano, um a cada nove minutos. Somos um país burro, que não sabe ler, nem escrever, nem fazer contas. Somos um país ladrão, que rouba o futuro das crianças e todo ano exige cinco meses de trabalho do povo para seguir roubando-as.

Mas, há cerca de um mês, ganhamos um novo motivo para nos envergonharmos: uma pequena parte do que existe de mais patético no Brasil resolveu acampar em Curitiba. Primeiro, durante longos 13 anos, destruíram o país; depois, pilhados em flagrante, gritaram que era golpe; em seguida, tentaram vender a mentira do golpe nas escolas, nas universidades, na grande mídia e no exterior; finalmente, decidiram transformar o golpista-mor, um criminoso condenado, em santo, rei e deus. Porque na verdade não acreditam em nada — isto é, acreditam em qualquer coisa.

A vergonha está acampada em Curitiba. Em torno da sede da Polícia Federal, os adoradores do criminoso condenado armaram um circo que, de maneira experimental, mostra a imagem do que a esquerda militante pretende fazer com o Brasil inteiro.

No entanto, de certo modo, tornou-se importante que esse laboratório de utopias esteja montado lá em Curitiba. É didático, é simbólico, é esclarecedor. Ali os militantes mostram a sua verdadeira face. Que não se toque num fio de cabelo dos acampados. Que jamais se lhes dê o que eles mais desejam: um cadáver para chamar de seu. Afinal, cadáveres sempre foram o ponto de partida — e o ponto de chegada — de todos os golpes revolucionários da história. A melhor propaganda contra eles é deixá-los falar.

Agora entendemos melhor por que uma das musas daquele acampamento falou com tanto desespero ao mundo dias atrás. Quando estiveram acampados no governo, o criminoso condenado e a sua defensora-mor trabalharam juntos por uma causa. E parte da causa agora é objeto de denúncia. Sim, a musa acampou ao redor da cela por saber que um dia será obrigada a acampar dentro dela.

Eu não sei do que tenho mais vergonha: se daquele acampamento; se daquele criminoso condenado; se dos juízes patéticos que o tentam libertar, se dos "artistas" e "intelectuais" que se prostram diante dele; se do jornalista cuja função é não deixar jornalistas trabalharem; se do político que olha para o céu e vê uma barba; se da ex-presidente que não sabe articular uma frase compreensível; ; se da propina brasileira ou do calote venezuelano; se daquela que já foi uma das personagens mais poderosas da República e todos os dias macula o nome do Estado em que vivemos. Não sei. Só sei que sinto vergonha, e que a vergonha está acampada diante de todos nós.

Fale com o colunista: [email protected]

mockup