Imagem ilustrativa da imagem Nosso amigo João
| Foto: Shutterstock



João Batista traz muitas coisas boas.

Quando ainda estava na barriga de Isabel, no sexto mês da gravidez, ele foi o primeiro a saudar a presença de Jesus no ventre de Maria, ainda nas primeiras semanas de gestação. Assim que Nossa Senhora pôs os pés na casa de Isabel, em Ain Karim, a mãe de João Batista sentiu que a criança estremecia de júbilo dentro de seu ventre. Disse então Isabel aquelas palavras que os católicos sempre repetem ao rezar a Ave-Maria: "Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre!" João Batista traz alegria.

Na "Vida dos Santos", Jacopo de Varazze diz que naquele momento, ao estremecer dentro da barriga da mãe, João foi ungido como profeta. De fato, João Batista se tornou o último dos profetas do Velho Testamento, o único que teve a alegria de conhecer pessoalmente o Messias. João Batista traz verdade.

Depois de um período de vida oculta — muito provavelmente tendo contato com a tribo dos zelotes —, João Batista retirou-se para o deserto e começou a profetizar. Vestia-se com peles de animais, alimentava-se de gafanhotos com mel. Batizava a todos nas águas do Rio Jordão, mas advertia: "Eu batizo com água. No meio de vós, está alguém que não conheceis, aquele que vem depois de mim, do qual não sou digno de desatar a correia da sandália." João Batista traz humildade.

Como se sabe, a vida dos profetas não é nada fácil. Eles sempre geram incompreensão e perturbam as conveniências; a verdade dói. "Os reis não gostam dos profetas", escreveu Otto Maria Carpeaux, lembrando que Isaías foi serrado — sim, serrado — por ordem de Manassés. A história de perseguição se repetiu mais uma vez quando João Batista criticou o rei Herodes por casar-se com a cunhada. É o destino de todo aquele que defende as leis de Deus contra os interesses do poder: cedo ou tarde alguém lhe pedirá a cabeça. João Batista traz coragem.

No belíssimo prólogo do Quarto Evangelho, João Batista é citado como precursor do novo Gênesis humano: "Houve um homem enviado por Deus. Seu nome era João. Este veio como testemunha para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz." (Jo 1, 6-8) "Tanto quanto a voz se aproxima da palavra sem no entanto ser a palavra, João aproxima-se de Cristo sem porém ser o Verbo", disse São João Crisóstomo no século IV. Quando repetimos as palavras de João Batista ao apontar Jesus — "Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo" —, somos colocados face a face com o perdão. João Batista traz esperança.

Alegria, verdade, coragem, humildade, esperança. De todas essas coisas eu me lembrei no último domingo, dia do nosso querido São João Batista.

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