Imagem ilustrativa da imagem Nos Passos da Madre
| Foto: Acervo Missionárias Claretianas/Divulgação

Querida Madre Leônia,

Hoje, como faço sempre, caminhei pelo teu jardim. Aqui tudo faz pensar em ti: a casa, a igreja, o santuário, a escola, a creche, o asilo, a ermida, o parquinho das crianças, as árvores, as flores, os pássaros... Trinta e nove anos depois de tua volta ao Pai, segues sendo uma presença viva na cidade. Mas não apenas nela: tuas filhas estão nos cinco continentes, fazendo o bem aos que precisam.

No teu jardim, Madre, há os Passos do Calvário. De certa forma, todos os filhos de Deus cumprem essas estações na vida. Contigo não foi diferente: tu também caíste ao conduzir a cruz; tu também tiveste o rosto enxugado por Verônica; tu também consolaste as mulheres de Jerusalém; tu também foste ajudada por Simão Cirineu; tu também entregaste o espírito a Deus; tu também ressuscitaste com Cristo para a vida eterna.

Conversei com uma de tuas filhas dias atrás. Ela chegou à Congregação há 38 anos, pouco tempo depois de tua passagem. No entanto, ela te viu, minha santa: “Conheci Madre Leônia pelas lágrimas das irmãs”. Hoje, essa mesma irmã ensina sobre ti, em um encontro espiritual denominado “Nos Passos da Madre”. Muitas pessoas — homens e mulheres, adultos e jovens, ricos e pobres — querem aprender o caminho do Céu contigo. Precisamos do teu exemplo e da tua força, cuja fonte é Jesus Cristo. Queremos ser pequenos Cirineus, e ajudar a carregar a cruz da nossa Igreja contigo.

Ah, Madre, ensina-nos a permanecer firmes e fortes mesmo quando o tempo se faz nebuloso, mesmo quando as ventanias e as tempestades fustigam o nosso pequeno o barco. Orienta-nos pelas veredas da compreensão e da lucidez, de modo que a alegria não nos abandone mesmo nos dias mais amargos. Madre, ensina-nos a sorrir como tu sorriste diante das dificuldades.

Trata-nos, ó Madre, com o mesmo carinho e compaixão com que tratavas os teus órfãos. Há momentos em que nos sentimos como eles. Faze-nos, então, enxergar a face do Pai Criador; ouvir o anúncio do Filho Redentor; e sentir o Espírito amoroso. Acolhe-nos como Nossa Mãe acolheu o Menino.

Um dia, tu sentiste a angústia e a incompreensão dos superiores. Foi a tua jornada dolorosa, conforme escreveste:

“Durante seis meses, fui envolvida por muitas calúnias e contradições... e foi assim que me associei aos sofrimentos do meu Jesus Crucificado. (...) Afastaram-me para uma casa de montanha, onde fui vigiada e impedida de comunicar-me com as pessoas.”

Mas a tua persistência foi recompensada. Em 1957, depois que recorreste à Nunciatura Apostólica do Brasil, eis que surgiu um homem bondoso e iluminado, Dom Geraldo Fernandes, primeiro bispo de Londrina. Com ele, fundaste a Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret.

Nós também, querida Madre Leônia, às vezes somos incompreendidos por nossos superiores, a quem devemos obediência e respeito, mas não submissão cega. Um dia, aqueles entre nós que padecem na dúvida e na angústia terão as suas preces ouvidas.

Percorreremos os teus passos, ó serva de Deus Madre Leônia, na esperança de dias luminosos e felizes em nossa cidade, em nosso país, em nossa Igreja.

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