Imagem ilustrativa da imagem Minha cidade natal
| Foto: Shutterstock



Mostro São Paulo a meu filho. Pedro acha que a torre da Gazeta é parecida com a Torre Eiffel, que ele viu nos livros e na internet. "É maior que a Torre de Pisa, pai?" Depois, ele se surpreende com o Minhocão, que eu tento definir como sendo uma avenida construída em forma de ponte, ou uma ponte construída em forma de avenida. Sabia que o vovô Paulo morou nessa rua, Pedro? Mas quando ele morou ainda não tinham construído o Minhocão.

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Vamos ao Pacaembu, que tantas vezes frequentei com meu pai e meu avô. Agora, volto ao velho estádio com meu filho. Quarenta anos depois, vem aquele inevitável sentimento que nos assalta quando visitamos lugares da infância: o estádio parece bem menor. Foi o Pacaembu que encolheu ou foi o menino que cresceu?

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Ficamos hospedados no Paraíso. Bem perto, no quartel do Ibirapuera, o soldado Mário Kozel Filho foi morto em um atentado terrorista há 50 anos. Era apenas um garoto, mal saído da adolescência; hoje Mário teria idade para ser meu pai. Vejo um senhor caminhando rumo ao Parque Ibirapuera. Poderia ser Mário. Poderia ser meu pai. Paulo também foi soldado do Exército com a mesma idade.

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Eu, Rosângela e Pedro tomamos um táxi. O motorista, com forte sotaque paulistano, é xará de profeta bíblico. Puxo conversa, pergunto há quanto tempo ele está na praça.
— Vinte anos. Antes, eu era metalúrgico da Villares.
— Metalúrgico da Villares?! Então o sr. conheceu o...
— Conheci. Mas não gostava do sujeito, desde aquela época. Ele só pensava em si mesmo.

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Vamos ao museu com os queridos amigos Zé e Carla e seus lindos filhos. Para variar, perco a carteira. Desesperado, em meio ao turbilhão de gente dentro do museu, ouço a voz de uma criança soletrar um nome: "Pau-lo-bri-gue-ti". A carteira foi encontrada por uma garotinha que passeava com a família. Sim, há gente honesta em São Paulo. E desconfio que é a maioria.

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Rosângela e Pedro estão no parque de diversões. Resolvo passar numa livraria próxima, mas antes vou ao banheiro. Ao lavar as mãos, ouço uma voz simpática:
— Paulo Briguet!
Pela segunda vez, ouço meu nome pronunciado na metrópole. Quem o pronuncia é Luciano Maluly, velho colega dos tempos de jornalismo na UEL, que não encontrava há 25 anos. Ele está acompanhado de seu velho pai. Luciano, estudioso da obra de Mário Filho (personalidade que dá nome ao Maracanã), hoje é professor da USP. Foi uma alegria encontrá-lo bem.

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A convite de Zé e Carla, vamos à Cantina Castelões, no Brás. Deu um trabalho danado para encontrar o lugar, mas valeu a pena. Fundada em 1924, a cantina segue até hoje sob a administração da mesma família. É considerada a melhor pizza de São Paulo, e não por acaso, como pudemos atestar, até pelo preço. No banheiro, uma placa adverte aos homens: "Per favore, viene piu vicino. LUI e piu corto di quanto pensi". Em tradução macarrônica, ficaria assim: "Por favor, chegue mais perto. ELE é mais curto do que você pensa".

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