Memórias do Centro Comercial
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de novembro de 2017
por Paulo Briguet 

Outro dia, no final da tarde, antes de uma reunião do Conselho Municipal de Cultura, fiz uma foto do Centro Comercial de Londrina. Sempre tive um fascínio pelas seis majestosas torres que se erguem no coração da cidade.
Mas quem ficou mais emocionado com a imagem foi meu amigo Rubens Augusto. A foto reproduz exatamente a visão que ele teve ao visitar Londrina pela primeira vez, aos 10 anos de idade. Menino de Bela Vista do Paraíso, Rubens ficou encantado e boquiaberto com o Centro Comercial. Nunca tinha visto nada parecido na vida. Não pensava que pudesse existir tamanha grandiosidade no mundo.
O Centro Comercial é uma das obras da Construtora Veronesi, responsável pela maior parte dos edifícios de Londrina construídos nos anos 50 e 60. O pai Arturo e os irmãos Remo e Romulo Veronesi iniciaram a construção do Centro Comercial em 1959 e inauguraram o prédio que, apesar do nome, também tem apartamentos residenciais no ano de 1961. Outros prédios históricos londrinenses foram construídos pelos Veronesi: Folha de Londrina, Bosque, Júlio Fuganti, Cínzia, Cine e Galeria Vila Rica, Panorama, Regina, Arthur Thomas, Santa Mônica, Hotel Bandeirantes, Hotel Crystal a lista é grande. Os Veronesi foram sinônimo de construção no período em que Londrina era chamada Capital Mundial do Café.
Aos 13 anos, Rubens veio para Londrina estudar no Seminário Diocesano. Em Bela Vista do Paraíso, ele fora coroinha do Padre Pio, um italiano xará do santo, que lhe traduzia os discursos de John Kennedy e do papa João XXIII transmitidos pelo rádio, apresentando-lhe novos horizontes intelectuais. No seminário, onde ficou um ano, ele conheceu o grande Dom Geraldo Fernandes, personagem fundamental da história da cidade.
Em 1969, Rubens conseguiu um emprego de balconista na Farmácia Central que existe até hoje, bem ao lado do Centro Comercial. Começou a namorar uma garota chamada Mirian, moradora do Bloco A, que viria a se tornar a mulher de sua vida e mãe dos seus filhos.
E adivinhem vocês sete onde o Rubens foi morar quando se casou com a Mirian... Lá mesmo, no Bloco B do Centro Comercial, em um apartamento financiado. Após trabalhar cinco anos na Farmácia Central, Rubens abriu sua própria farmácia na Vila Casoni, e hoje é um importante empresário do setor na região. "O Centro Comercial é um cenário que marcou a minha vida", diz o Rubens.
Este cronista de sete leitores também tem gratas lembranças do Centro Comercial. Lembro-me das cervejas que tomávamos no Bar do Lema e no Bar Estoril, depois de fechar a edição na Folha; do sebo do Carlinhos, que por um tempo funcionou ali; da loja de discos do Faquir; do sapateiro, do mecanógrafo, do cabeleireiro, do alfaiate, dos inúmeros amigos que moraram ali... Peço licença para dizer que também amo o Centro Comercial.
Quantas lembranças pode despertar uma simples foto...
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