Estou com 46 anos e tinha 19 quando o Brasil viveu a hiperinflação do Sarney, pós-Cruzado.

Os jovens de hoje têm dificuldade em compreender uma escalada inflacionária. E não por falta de inteligência, mas pelo motivo simples de que não se entende aquilo que não se pode imaginar.

Vamos então criar uma pequena imagem para mostrar o que é inflação.

Suponha que você receba o seu salário não em cédulas, mas em cubos de gelo de diferentes tamanhos, nenhum deles grande. Imagine que você esteja em pleno verão.

Na inflação, os bancos são as geladeiras do dinheiro. Quem não tem conta em banco fica sem gelo, sem dinheiro — e, portanto, sem comida. Inflação, para os mais pobres, é sinônimo de fome.

Mesmo que você tenha conta em banco — onde existe um processo de refrigeração noturna, chamado overnight, que mantém as pedrinhas de gelo do seu salário —, você precisa comer, beber, comprar produtos de limpeza e higiene pessoal. Essas coisas comezinhas da vida.

Na inflação, meu camarada, se você recebe o salário no dia 5, tem que sacar uma boa quantidade de dinheiro e sair correndo para o supermercado a fim de fazer as lendárias "compras do mês". Se você for preguiçoso e não fizer isso, os preços amanhã estarão mais altos e seu poder de compra, menor.

Na inflação, os preços sobem tanto que eletrodomésticos passam a custar milhões de dinheiros. A moeda simplesmente deixa de existir, torna-se uma ficção — e o que é pior, uma ficção sem a qual ninguém sobrevive.

Inflação é o regime em que todos são milionários e mendigos ao mesmo tempo.

É por isso que foi feita a PEC 241. Para evitar a volta da inflação. Para permitir a volta da credibilidade da economia; para que os investidores voltem a acreditar no país; para que com isso sejam criados novos empregos; para que o governo, ao manter os gastos em um patamar suportável, não precise criar novos impostos (os quais já consomem quase 5 entre cada 10 reais do país); para que a criação de novos impostos não jogue os preços para o alto e desperte o monstro inflacionário.

Saúde e educação não correm risco com a PEC; há mecanismo de proteção para esses setores no projeto. O único risco quem corre são os maus administradores que não sabem gerir os recursos já existentes.

É claro que não teremos tempos fáceis pela frente; afinal, uma organização criminosa destruiu o país! Mas as dificuldades — note bem —, devem ser atribuídas àqueles que nos governaram por longos 13 anos, não a medidas de saneamento das contas públicas.

Há, porém, um grupo político interessado na volta da inflação: o PT e suas bases auxiliares à esquerda e à direita. Com a população desesperada para preservar seus cubinhos de gelo, ninguém terá força nem coragem de enfrentar os companheiros que, não custa lembrar, ainda dominam a máquina estatal, a cultura, a educação e grande parte da mídia.

Já vai longe o tempo em que a esquerda reinava pelo poder das armas. Agora ela utiliza as armas do poder: impostos, inflação e cultura.

Mas hoje nós podemos enfrentar e questionar os esquerdistas. Principalmente após a monumental, incontestável derrota sofrida por eles nas urnas.

Entendeu agora por que eles são contra a PEC 241? Porque querem pecar à vontade, sem incômodo. Eles não se emendam.

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