Fernanda Jiran, a mãe da cultura londrinense

Se a cultura londrinense tivesse mãe, seria ela: Fernanda Jiran.
Amante e profunda conhecedora de música, literatura e cinema, a professora Fernanda dedicou a vida inteira à formação de leitores, ouvintes e apreciadores das artes.
Sua generosidade era incalculável. Professora de português no Colégio Vicente Rijo, despertou em várias gerações de alunos o gosto pela leitura.
Idealizou e coordenou as famosas sessões de cinema e ópera na antiga sede da Associação Médica, hoje transformada em Espaço Cultural do Sesi.
Apresentou, durante mais de 20 anos, os programas Clássicos 107, Para Gostar de Ópera e Brasil Camerístico, na Rádio Universidade FM.
A voz de Fernanda Jiran e seus ouvintes haverão de concordar comigo era belíssima, o que aumentava ainda mais o prazer de acompanhar os seus serões radiofônicos.
A mãe da cultura de Londrina também era uma pessoa simples, cativante e dedicada à arte da conversação. Tive a honra de entrevistá-la em seu apartamento no Edifício Jamile Caram, no coração de Londrina. Foram conversas longas e agradabilíssimas, das quais guardo uma recordação feliz. Como era doce ouvir Fernanda Jiran, em sua casa repleta de discos, livros e obras de arte!
Tínhamos uma pequena brincadeira pessoal, quando nos encontrávamos: ela me dava relatórios sobre o funcionamento do Relojão do Edifício América, um dos símbolos da nossa cidade, o Big Ben de Londrina. "O Relojão ficou parado duas semanas, assim não dá!"
Tive também o prazer de ser colega de Fernanda Jiran no período em que colaborei voluntariamente com a Rádio Universidade, mantendo uma coluna de crônicas radiofônicas na Universidade FM.
Fernanda Jiran morreu nesta quarta-feira, 3 de agosto de 2016, aos 85 anos. Sua voz, seus olhos luminosos e seu imenso coração não serão esquecidos. Deus haverá de recebê-la no Céu com um concerto de misericórdia e amor.
Acho que o Relojão parou por um tempo, Fernanda...





