Meu amigo, meu médico, meu colega de letras Marco Antônio Fabiani acaba de perder a mãe. E nos presenteou com palavras carregadas de amor e gratidão:

"O Pai nosso que está no céu recebeu em sua morada, no dia 29 de agosto, a dona Irene, minha mãe. Os anjos que leem o Grande Livro da vida, a essa altura já devem ter verificado os incontáveis pãezinhos de Santo Antônio (Santo de sua devoção), distribuídos a cada ano, as balinhas de "ano bom" aos garotos que cedinho batiam à porta, no dia primeiro de janeiro; as visitas ao asilo São Vicente; as horas e horas, ajoelhada e rezando o terço; as reuniões do Apostolado. A vida inteira regida pela fé católica.

Nas horas em que processamos perdas essenciais, os sentimentos acabam se misturando. Mas, no caso, o que mais sobressai é o sentimento de gratidão. Não saberia muito bem como agradecer uma cidade inteira. As pessoas de Ribeirão Claro cuidaram da minha mãe nesses anos todos, cada qual à sua maneira. As vizinhas que "davam uma passadinha," as que traziam uma muda de flor, uma receita nova. Aquelas que numa delicadeza absurda a levavam passear ou a uma festa. Não há palavras que possam expressar esse agradecimento.

Não deveria citar nomes, mas seria uma falta grave não falar da Fátima, que nesses mais de quarenta anos esteve ali em casa, carinhosa, numa tolerância enorme (dona Irene, muitas vezes escondia a ternura em moita de urtiga...), das bênçãos do padre Germano, que sempre guardava uma palavra de consolo e afeto, naquele seu dialeto teuto-ribeirão-clarense, da paciência, competência e extrema humanidade do doutor Heitor, um amigo que elevou o exercício da medicina ao mais alto que se pode chegar.

Expresso tudo isso em meu nome, da Denise, do Lucas, do André, do meu irmão Luiz, da Maria Rita, do Bernardo e da Isadora. Filhos, noras e netos dona Irene.

E que ela agora descanse em paz."

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