Imagem ilustrativa da imagem Falando com você
| Foto: Shuttterstock



Eis que abro minha caixa postal e encontro uma carta:
"Há dias estou tentando lhe escrever e dizer que sou uma leitora assídua há muito tempo. Através de suas crônicas, sei um pouco sobre você. E gostei, sabe? Do atual Paulo Briguet. Um bom chefe de família, bom marido para a Rosângela, um bom pai para o Pedro, um filho saudoso do pai Paulo e da mãe Aracy. Um homem cristão, católico praticante, reza o terço todos os dias, devoto da Mãe Rainha, da Madre Leônia e de São José. Não dirige, anda de táxi, às vezes de ônibus, ótimo jornalista, cronista, muito culto, um erudito mesmo.
Eu não sou uma profissional como você, mas participei da seção de Opinião do leitor, ousei escrever na extinta Crônica de quarta-feira e ultimamente me atrevi a escrever uns cinco ou seis textos no Dedo de Prosa, da Folha Rural. Faço parte de uma família numerosa, de pai falecido, a mamãe com 91 anos e somos 10 irmãos. Sou professora aposentada da rede estadual de ensino, estudei em colégio de freiras em Agudos e em Assis (SP), onde me formei em Letras Neolatinas na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis, Escola Isolada da USP. Moramos na Rua Mato Grosso e faço parte da Liturgia aqui na Paróquia Sagrados Corações e na Catedral.
Vou confessar uma coisa: minha irmã e eu não gostamos de cozinhar. Sabe o que fazemos? Ela liga o celular e vamos rezando o terço: da Misericórdia, das Santas Chagas, de São Miguel Arcanjo, de Maria passa na frente, de São José e, com o Pedro Siqueira, os de Nossa Senhora. E assim, vamos fazendo o almoço, arrumamos a cozinha, enfim, fazemos todo o serviço de casa e oferecemos tudo isso a Deus.
Sabe, Paulo, a minha avó materna mandava fazer seus vestidos todos com um bolso bem grande. Era para colocar o terço. Ela caminhava pela fazenda toda, isso lá em Minas, pelo pomar, pelos currais, pelo terreirão de café sempre com a mão no bolso. Numas férias, criança ainda, perguntei para a mamãe por que a vovó andava sempre com a mão no bolso. Ela respondeu que a vovó estava rezando o terço. E todos nós aprendemos a rezar o terço diariamente. Eu rezo em casa, na cama, na rua enquanto caminho, no ônibus, indo para a hidroginástica, nas viagens, na igreja; e durmo com o terço embaixo do travesseiro.
Falei tudo isso, Paulo, porque sei que é mariano como nós, tem amor por Maria, Nossa Senhora. Tenho um sobrinho que disse uma vez pra nós aqui em casa, que exageramos nas orações; mas, coitado, é jovem ainda, não sabe que precisamos rezar muito, muito, ah, e como precisamos...
Desculpe, Paulo Briguet, acho que tomei muito do seu tempo. Deve ser uma pessoa muito ocupada, mas eu tinha que lhe falar que você é uma pessoa muito especial, de Deus mesmo; tenho certeza de que possui muito mais que sete leitores, muito mais...

Com carinho da sua leitora,
Idiméia de Castro."

Você não ficaria feliz em receber uma carta assim tão bonita? Eu fiquei. Uma feliz mês de Maria para todos nós!

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