Imagem ilustrativa da imagem Eugênio Brugin está aqui
| Foto: Shutterstock



Com dor no coração, li a notícia de que a Escola Municipal Eugênio Brugin, na zona sul de Londrina, foi assaltada mais uma vez. Os ladrões arrombaram a porta da escola neste domingo e levaram até o dinheiro de uma campanha solidária dos alunos. O que se passa na alma de quem rouba crianças pobres?

Mas hoje eu não quero falar de ladrões. Quero falar de um trabalhador, de um pai de família, de um homem de bem chamado Eugênio Brugin, patrono da escola municipal do Conjunto São Lourenço. Eugênio e a mulher, Elvira, ambos imigrantes italianos, chegaram a Londrina no ano de 1931. "Chegar" a Londrina é maneira de dizer; eles foram a terceira família a se instalar numa clareira da mata que futuramente se chamaria Londrina.

Eugênio havia tomado conhecimento do "novo Eldorado" durante uma viagem de trem, ao ler um cartaz que dizia: "Norte do Paraná – Não há saúvas". A família Brugin veio de São José do Rio Preto (SP). Eugênio, Elvira e os nove filhos fizeram uma viagem de caminhão que durou três longos dias. Elvira estava doente, e a tal cidade parecia nunca chegar. Quando finalmente avistaram três casas de madeira — uma das quais acomodaria a família —, era noite. Elvira, febril, perguntou ao marido:
— É só isso a cidade?
Era.
Eugênio Brugin tornou-se um dos primeiros agenciadores da Companhia de Terras Norte do Paraná. O casal também abriu uma pensão para receber os pioneiros que chegavam à região. Graças a gente como o casal Brugin, realizou-se aqui a maior reforma agrária promovida pela iniciativa privada em todo o planeta. E o resultado é Londrina. Aquela pequena clareira na mata virou a cidade que tanto amamos.
Ninguém pense que a vida de Eugênio e Elvira não foi fácil. A filha Maria Alice, que chegou ao Norte do Paraná com quatro anos, recorda-se de um dia em que a mãe anunciou alegremente que havia pão de centeio para o café da manhã. Cortou o pão em dez pedaços — deu um para cada filho.
A família Brugin também passou pela dor de perder o filho mais velho, Fernando, com apenas 22 anos de idade, poucos dias antes de se casar. O rapaz tomou uma injeção e entrou em choque anafilático. O médico que aplicou a injeção sumiu para nunca mais voltar.

Mas Eugênio e Elvira nunca reclamavam da vida. Certo dia, Maria Alice perguntou se a mãe estava chorando. Ela desconversou:
— Não, filha. Foi um cisco que entrou no meu olho...
Este cronista de sete leitores teve a honra de conhecer a história de Eugênio Brugin ao entrevistar sua filha, Maria Alice Brugin Arruda Leite, hoje com 90 anos, lúcida e cheia de vida, feliz por ter sido a filha de pioneiros tão valorosos e também a primeira aluna matriculada no Colégio Mãe de Deus.
Sempre que leio uma notícia negativa sobre nossa cidade — como o roubo da escola municipal —, sinto-me compelido a olhar no sentido oposto: o sentido do trabalho, da honradez e da vida. Que o nosso futuro seja moldado por Eugênio Brugin, e não pelos ladrões da escola que leva seu nome.
Esse nome não está ali por acaso.
Fale com o colunista: [email protected]

mockup