Eu era petista e não sabia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
por Paulo Briguet 

Já disse que tenho uma memória espantosa? Principalmente para fatos inúteis e que aconteceram há muito tempo. Não sei se é bênção ou maldição, mas é cada uma que eu lembro!
Quando prestei vestibular para Psicologia na UEL em 1987, o tema da redação era bem parecido com o título de um livro do Marques Rebelo: "A guerra está em nós".
Naquele inverno eu fiz a prova na quadra do Centro de Educação Física (onde anos mais tarde viria a participar de intensas assembleias na greve de estudantes). Estávamos organizados em ordem alfabética. Ao meu redor havia um batalhão de Paulos. Foi muito engraçado quando alguém gritou lá de longe: "Paulooô!" e uns 500 xarás de viravam ao mesmo tempo, inclusive este mané aqui.
Lembro-me que escrevi minha redação em primeira pessoa, como se fosse a carta de um membro de uma organização esquerdista clandestina que resolve abandonar o movimento e dedicar-se à pacificação da guerra dentro da própria alma. Profundo, né? Até que eu enganava bem na época. A redação terminava com uma frase entre parênteses: (Esta carta foi encontrada entre os pertences de Paulo Antônio Briguet Lourenço, guerrilheiro morto durante a ditadura.)
Passei naquele vestibular, embora fosse apenas um "treineiro". Alguns festejarão o psicólogo de que o mundo se livrou; outros lamentarão o cronista que a cidade ganhou. Mas foi naquele inverno de 1987 que eu comecei a me apaixonar por Londrina, amor incondicional que está prestes a completar 30 anos.
Pois eu nem tinha 30 anos quando um conhecido político da cidade me chamou para almoçar no Casarão e levou consigo uma ficha de filiação do Partido dos Trabalhadores. Isso foi nos anos 90, na época em que eu era esquerdista, mas lia Olavo de Carvalho escondido na sede do Sindicato dos Jornalistas. Assinei a ficha, o político levou-a embora e nunca mais se falou no assunto.
Mas não é só a minha memória que é espantosa; o meu esquecimento também é.
Dias atrás, tomando um café com meus queridos amigos Filipe e Silvio, reaças como eu, tive um estalo. Pus as mãos na cabeça e disse:
Senhores, tenho uma confissão a fazer. Acho que sou filiado ao PT!
Rimos muito. Mas era verdade.
Chegando em casa, fui ao site do TSE para desfazer a dúvida. As informações são contraditórias. Na minha zona eleitoral, não há registro de nenhum filiado ao PT com o meu nome. Mas, em uma lista geral dos filiados, lá estão o nome e o sobrenome do rapaz que prestou aquele vestibular em 1987.
Nos últimos 13 anos, como todos sabem, um dos meus temas prediletos foi o combate ao PT, aos petistas e a tudo que eles representam. É muito engraçado que eu tenha feito isso tudo sendo oficialmente um membro da legenda. Um membro inadimplente, é bem verdade. Jamais dei um centavo para o partido.
Mas, já que pertenço aos quadros do PT, farei duas propostas aos companheiros:
1. Uma moção de apoio ao juiz Sérgio Moro e ao professor Olavo de Carvalho, os homens que salvaram o Brasil;
2. A extinção pura e simples do partido a partir de hoje.
Saudações petistas!
Fale com o colunista: [email protected]


