É uma menina!
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de agosto de 2018
Paulo Briguet 

1. A linda menininha da foto se chama Ana Liz e tem cinco meses de idade. Na última Páscoa, publiquei aqui na Avenida Paraná uma crônica em homenagem ao seu nascimento, ocorrido em março deste ano, em Londrina. Seus pais, Thalita e Alexandre, moram na Inglaterra. Durante a gestação de Ana Liz, os médicos ingleses descobriram que Ana Liz tinha hidrocefalia e sugeriram o aborto. Inconformada, Thalita veio para sua terra natal, o Norte do Paraná, em busca de ajuda - e a encontrou na equipe médica do Hospital Evangélico, especialmente no neurocirurgião Carlos Zicareli e na obstetra Lilian Vacari. Graças a eles e à ajuda de Deus, Ana Liz está crescendo saudável e sem nenhuma sequela. Um milagre da vida!
2. Nos últimos dias, duas mortes de mulheres chocaram o país. Em Guarapuava, a advogada Tatiane Spizner, 29 anos, foi assassinada. Todas as investigações da polícia apontam para seu marido, o professor Luís Felipe Manvalier, como autor do crime hediondo. Em Paraisópolis (SP), a policial militar Juliane dos Santos Duarte, 27 anos, foi morta após ser raptada por um grupo de homens encapuzados. Nos dois casos, houve crueldade extrema. São crimes abomináveis.
3. Uma querida amiga, que está grávida, fez observações muito pertinentes sobre o tema: "A pauta dos últimos dias é violência contra a mulher. Ninguém faz a conta de que em um país com mais de 60.000 homicídios, a violência é a regra, não há essa segregação de acordo com a vítima, não é uma situação dissociada da realidade geral. E mais, as vítimas mulheres são selecionadas a dedo: na última semana importa mais a advogada do Paraná do que a PM que morreu na favela. Quando as pessoas vão parar de colocar etiqueta de grau de importância em vítima e cadáver e pedir para, em todos os casos, bandido ser tratado e punido como tal, de acordo com a gravidade do caso, sem essas piadas de cumprimento mínimo da pena?"
4. "Não sou fã de pessoas que colocam a identidade grupal em primeiro lugar", disse numa palestra recente o psicólogo canadense Jordan Peterson. Ele e a minha amiga estão cobertos de razão. A histeria coletivista em que estamos mergulhados faz com que determinadas vítimas ganhem destaque não pelo valor de suas vidas, mas porque, rotuladas, favorecem determinada narrativa político-ideológica.
5. Precisamos esquecer as narrativas e focar o problema central: a indecente, vergonhosa, inconcebível taxa de homicídios em nosso país. O Brasil não é o país que mais mata mulheres, nem negros, nem brancos, nem gays, nem índios, nem ativistas, nem religiosos. O Brasil é o país que mais mata seres humanos.
6. A melhor notícia da semana foi a rejeição do aborto legal pelo Senado argentino. Uma vitória das pessoas comuns, que sorriem com a vida e choram com a morte - e não o contrário, como fazem os militantes do caos. Em nosso país, que mata um filho a cada nove minutos, espero em Deus que o STF não aprove a matança dos filhos no ventre de suas próprias mães. Se isso acontecer, será um golpe criminoso contra a vida e contra a democracia.
7. "Às vezes parece mentira tudo o que passamos e ver como ela está hoje tão esperta e sem sinais de nenhuma sequela", diz Thalita Azevedo, a mãe de Ana Liz. Que os pais e mães brasileiros possam continuar dizendo "É uma menina!" ou "É um menino!" diante de cada vida nova. Viva Ana Liz!
Fale com o colunista: [email protected]


