Doutor Coragem
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de outubro de 2016
por Paulo Briguet 

Eu me sinto um nada diante de homens como o promotor público Marcelo Briso. Conheci-o há três anos, quando era assessor de uma instituição empresarial de nossa cidade. Desde o primeiro momento, percebi no promotor aquela chama dos que defendem incondicionalmente a justiça e a verdade e estão dispostos a lutar por elas até o fim, mesmo que o fim seja a sarça ardente, o cadafalso, o pelotão de fuzilamento ou a cruz.
Quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir saberá que todos os dias Marcelo Briso se dedica a salvar crianças e jovens das garras do tráfico. Seu trabalho é ajudar famílias adolescentes perdidos na beira da estrada, pais consumidos pela angústia, mães envelhecidas pelo desespero que tiveram o dissabor de ter algum filho envolvido nessa máquina da morte que ceifa milhares de vidas no Brasil a cada ano, dezenas delas em Londrina.
Quando você tiver terminado de ler este artigo, mais um jovem terá sido exterminado pelo tráfico em nosso país. E mais alguns brasileiros terão perdido o emprego e a esperança, e o sorriso, e a paz porque um bando de criminosos destruiu a sociedade brasileira nos últimos 13 anos com o único objetivo de dominá-la para sempre.
Acompanho o trabalho do Dr. Marcelo e sei o que testemunham as tristes paredes de sua Promotoria. Tive oportunidade de conhecer alguns pais que tiveram suas vidas e sonhos destruídos pelas drogas, e vivi essa tragédia dentro de minha própria família, como relatei dias atrás.
Há 20 anos, participei do Congresso Nacional de Jornalistas, realizado em Porto Alegre, na condição de delegado sindical. Lembro que em uma das votações cujo tema era a qualidade da educação levantei a mão sozinho em meio a centenas de delegados de todo o País. Não disse nada: apenas levantei mão. Naquele momento, senti-me solitário, mas estranhamente feliz.
Na sexta-feira passada, Marcelo Briso fez muito mais do que eu: ele teve a coragem não apenas de levantar a mão, mas de falar sozinho a verdade sobre as tais "ocupações" de escolas públicas em nosso Estado. Fez a exata e demolidora comparação entre a organização criminosa que domina o tráfico e a organização criminosa que se infiltra nas instituições. Depois do naufrágio nas urnas, esta última tenta voltar ao poder a qualquer custo, tomando a população como refém, aliciando e robotizando nossos filhos. O tráfico mata seus operários; a esquerdopatia mata a sociedade inteira.
No país sonhado pelos companheiros, não há lugar para Marcelos Brisos nem para Sérgios Moros. É o país da total submissão ao "projeto político" que o companheiro-mor vive mencionando. Mas há um porém: a imensa maioria do País rejeita esse "projeto", como demonstrado nas eleições. O Brasil não é uma audiência pública aparelhada pela esquerda; o Brasil é aquele que falou pela boca do Dr. Marcelo Briso. Coragem, brasileiros! É hora de resgatar o País.
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