Imagem ilustrativa da imagem Discurso no banquete do Nobel


Acabo de ler com grande emoção e entusiasmo as palavras proféticas do escritor russo Alexander Soljenítsin, pronunciado aos formandos da Universidade Harvard em 1978. Embora o discurso tenha quase 40 anos, parece ter sido feito na manhã de hoje. Estou providenciando uma tradução do discurso de Soljenítsin para esta coluna (a partir das versões em espanhol e inglês; não, eu não sei russo). Mas, enquanto não faço a tradução, deixo os meus sete leitores com um pequeno texto enviado à Academia Sueca quando Soljenítsin ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 1970. Impedido pelas autoridades soviéticas de participar do jantar de premiação em Estocolmo, o ex-prisioneiro dos campos de concentração comunistas pediu que fossem lidas as seguintes palavras aos comensais:

Vossa Majestade,
Minhas senhoras, meus senhores,

Espero que a minha ausência involuntária não tolde o pleno brilho da cerimônia de hoje. Entre as breves alocuções que serão pronunciadas, a minha igualmente é esperada. Eu quisera ainda menos que ela empanasse o lustre das festividades. Sem embargo, não posso deixar passar o acaso notável que faz coincidir o dia da entrega do Prêmio Nobel com o Dia dos Direitos do Homem. Os laureados do Prêmio Nobel não podem menos de sentir-se responsáveis diante dessa coincidência. As pessoas reunidas no Paço Municipal de Estocolmo não deixarão de ver nela um símbolo. Assim, neste banquete, lembremo-nos de que, hoje, os presos políticos fazem a greve da gome para defender seus direitos diminuídos ou totalmente espezinhados.

A. Soljenítsin, 10 de dezembro de 1970.

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