Discurso de amor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de abril de 2018
por Paulo Briguet 

No tão recente e já de triste memória "seminário do golpe" na UEL, um professor citou-me como "jornalista que faz discurso de ódio na imprensa local". Acredito, porém, que o docente não seja um dos meus sete leitores. Se o fosse, escreveria algo bem diferente. Porque a essência do meu trabalho é o amor; amor que por princípio afasta o veneno do ressentimento e as toxinas da inveja; amor que rejeita o pecado, nunca o pecador.
"Conservadorismo significa encontrar aquilo que você ama e lutar para proteger isso", definiu Roger Scruton. Meu trabalho diário, infinitamente mais modesto que o do filósofo inglês, consiste na exposição, descrição e defesa de tudo que amo. Posso dizer, não sem um pequeno orgulho, que as crônicas desta Avenida Paraná são um longo e persistente discurso de amor.
Amor à verdade. Embora só Deus conheça a verdade completa, ele nos presenteou com o dom de enxergar aspectos da realidade, compondo-os para atingir a dimensão mais próxima do que realmente existe. Buscar a estrutura da realidade é um dos eixos do meu trabalho.
Amor à família. Todos que caminham pela Avenida Paraná sabem do amor que tenho por meus pais, minha mulher, meu filho, minha irmã, meus amigos, meus antepassados, minhas raízes. A família é o centro agregador de nossa vida eu amo tudo que a fortalece e repudio tudo que a desintegra.
Amor ao trabalho. Cada frase publicada aqui é fruto de um longo processo de elaboração, de um cultivo que se alonga e aperfeiçoa através do tempo. Quando luto pela livre iniciativa e pelo respeito aos produtores da riqueza humana, estou manifestando meu amor pelos trabalhadores que realmente trabalham a maioria das pessoas.
Amor à terra. Jamais deixo de manifestar aqui o meu amor-paixão pela cidade que escolhi para viver. Ser londrinense é a minha forma pessoal de patriotismo.
Amor à Igreja. Todos sabem que sou pai do Pedro, marido da Rosângela e vizinho da Madre Leônia. É uma outra forma de dizer que me considero um soldado da Igreja e lutarei incansavelmente para defender a fé contra os ataques da política.
Amor à cultura. Grande parte da minha vida consiste em procurar bons livros, boa música e boa arte. Quando os descubro, tenho um prenúncio do que deve ser o Céu.
Tudo isso é amor, não ódio. Um dia, os "cursos do golpe" realizados nas universidades brasileiras serão incluídos no anedotário geral dos tempos que vivemos; tempos em que os militantes de ódio acusam os adversários precisamente daquilo que fazem e xingam-nos histericamente daquilo que são. Mas, quem sabe, haverá também, no rodapé da história, um espaço para aqueles que, como este cronista de sete leitores, souberam rir das verdadeiras piadas e chorar dos verdadeiros golpes, pelo simples fato de que amava a verdade, a família, o trabalho, a terra, a Igreja, a cultura reflexos do amor a Deus.
Sim, meus sete amigos: o amor é mais forte que a morte.
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