Desabafo de um professor não esquerdista
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
Paulo Briguet 

Nesta semana recebi a carta de um conceituado professor da UEL e não posso deixar de compartilhá-la com vocês, meus sete leitores:
"Caro Paulo,
Resolvi escrever a você após ler a crônica 'Confissões de um subversivo de direita'. Como um de seus 'sete' leitores, acompanho suas crônicas há anos, as quais sempre me trazem bons sentimentos, apesar da grande ansiedade ao ler, antes das eleições, seus artigos descrevendo o que nos esperaria se o país caísse novamente nas mãos da esquerda. Agradeço a Deus todos os dias por isso não ter acontecido.
Por minhas mãos como professor já passaram estudantes e profissionais das mais diferentes etnias, religiões, preferência sexual e nível social, os quais sempre tratei da mesmíssima maneira, com todo o respeito, cordialidade e atenção, dando o melhor de mim para passar a eles o pouco que sei.
Acredito, contudo, que talvez a grande maioria das centenas de pessoas que por mim passaram ao longo dos anos nem sequer imaginem que sou totalmente contra a doutrinação e ideologia esquerdista, que infelizmente tomou conta das instituições de ensino superior. O desconhecimento deve-se simplesmente ao fato de que quando entro em sala de aula não sou nem de esquerda nem de direita, sou apenas o professor apaixonado por ensinar os conteúdos das disciplinas que me foram incumbidas, fazendo o máximo para fazer jus ao salário que recebo mensalmente, mediante pagamento de impostos pelo povo paranaense.
Mas infelizmente todos sabemos que a doutrinação existe e está mais viva e presente do que nunca, demonstrada por exemplo por pichações e outros tipos de 'pinturas' e 'desenhos' espalhados pelas paredes de toda a UEL. Infelizmente, nos últimos anos estou tendo mais vergonha do que orgulho de ser docente de uma das melhores instituições de ensino superior do Sul do País. Afinal, não dá pra se orgulhar de pertencer a uma instituição em que ocorrem seminários intitulados 'O golpe de 2016 e o futuro da democracia', ou ainda a publicação de uma 'carta aberta' assinada por professores de determinado departamento, apoiando totalmente o 'professor' Fernando Haddad. Isso apenas para citar duas atitudes no mínimo questionáveis...
Mesmo tentando concentrar-me em apenas fazer meu trabalho da melhor maneira possível, já percebi algumas vezes que, ao dizer minha profissão e local de trabalho a algumas pessoas que não me conhecem, estas lamentavelmente já me veem como defensor da esquerda... e não um 'pé-vermelho' que sou, morador de uma cidade abençoada que rejeitou maciçamente o projeto de poder esquerdista.
Forte abraço, Deus te abençoe e tudo de bom!"
Outro abraço, professor. Apesar das críticas e dos problemas apontados, as suas palavras me enchem de esperança quanto ao futuro da nossa universidade. Que Deus abençoe você, o seu trabalho e a UEL!
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