Imagem ilustrativa da imagem Defenda-se do mal
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1. O mal existe e está solto no mundo. Enquanto insistirmos em ignorar a presença da maldade humana, seremos reféns dos psicopatas, dos bandidos e dos militantes do caos.
2. Viktor Frankl, sobrevivente dos campos de concentração nazistas, publicou nos anos 40 o clássico "Em Busca do Sentido". Uma das maiores lições da obra de Frankl é a rejeição enfática do conceito de culpa coletiva. Sem a noção de responsabilidade individual, a justiça se torna impossível. Se todos são culpados, ninguém é culpado.
3. O truque mais antigo do diabo consiste em fazer com quem as pessoas não acreditem na existência dele. Uma sociedade que relativiza as noções de bem e mal, onde todos os valores se equivalem, torna-se escrava dos projetos de poder. "Se Deus não existe, tudo é permitido", disse um personagem de Dostoiévski. Se tudo é permitido, o diabo manda.
4. O grande escritor russo Alexander Soljenítsin, que denunciou os campos de concentração comunistas, afirmava que a linha divisória entre o bem e o mal atravessa cada coração humano. "E quem está disposto", perguntava o autor de "Arquipélago Gulag", "a destruir uma parte do seu coração?"
5. Uma das formas de compreender a realidade do bem e do mal encontra-se nos clássicos da literatura. Para o grande crítico literário canadense Northrop Frye, a experiência literária nos oferece tanto um mundo melhor quanto um mundo pior do que este em que vivemos, obrigando-nos a olhar fixamente para ambos. Paradoxalmente, o mundo da ficção é aquele que nos faz enxergar a verdade.
6. O leitor de "A Divina Comédia", "Guerra e Paz" ou "Odisseia" encontra, sob a forma literária, os extremos da realidade que, cedo ou tarde, acabará por experimentar de alguma forma em sua vida individual ou comunitária. Mesmo quando alguma coisa horrível acontece na literatura — como a cena de Shakespeare em que o rei arranca fora os olhos de Gloucester ou a morte por envenenamento de Emma Bovary —, há em nós leitores a certeza consoladora de que precisamos evitar aquilo em nossa vida. Ou, nas palavras de Frye: "Quanto mais a nossa exposição a crueldades pela ótica da literatura, menor a nossa chance de encontrar nelas um prazer secreto".
7. A cultura literária e a tradição sagrada permitem-nos alargar o nosso horizonte intelectual, para que sejamos capazes de imaginar a bondade e a maldade humana na sua plenitude. Creio que o desafio de resgatar os valores civilizacionais por meio da cultura é uma tarefa infinitamente mais importante do que eleger este ou aquele presidente da República. Sem cultivar a inteligência, seremos sempre reféns dos bandidos, dos militantes ou daqueles que são as duas coisas ao mesmo tempo. Um país sem cultura e sem religião abre caminho para a ditadura do crime e da ideologia.
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