Imagem ilustrativa da imagem Crianças de 1917
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Em 2002, visitei o túmulo do escritor francês Marcel Proust, no Cemitério Père-Lachaise, em Paris. Excetuando duas viagens que fiz à Virgínia, para visitar meu amigo e professor Olavo de Carvalho, esses dias na capital francesa foram minha única experiência em país estrangeiro. Chamou-me a atenção a simplicidade do túmulo do autor do monumental "Em Busca do Tempo Perdido". Uma simples lápide, onde se lê: Marcel Proust (1871-1922). É curioso que eu e Proust sejamos "xarás" de aniversário: o autor dos sete volumes nasceu em 10 de julho de 1871; este autor de sete leitores, em 10 de julho de 1970, exatamente 99 anos depois. Cessam aí as semelhanças entre o grande romancista francês e o pequeno cronista pé-vermelho.

Mas talvez haja mais uma coisa em comum entre mim e Proust: a obsessão pelo tempo. Proust teria dito, certa vez, que a obra de um ser humano leva 100 anos para se realizar. Em outras palavras, muitos de nós morreremos antes de completar a nossa missão da vida. O que leva à reflexão de outro homem que visitei no exterior — mas este vivo, e bem vivo. Olavo de Carvalho afirma que as instituições com real importância histórica são aquelas que duram mais do que uma existência individual de seus agentes.

Durante muito tempo em minha vida fui fascinado pelo ano de 1917. Acreditava que essa obsessão se devia à Revolução Russa liderada por Lênin e Trotsky. De fato, estudei o tema em profundidade; por vários anos, via os líderes da primeiro Estado socialista da história como homens iluminados. Quando comecei a estudar os críticos da revolução — escritores como Richard Pipes, Paul Johnson, Roger Scruton, Joseph Brodsky, Alexander Soljenítsin, Czeslaw Milosz, Milan Kundera —, meu entusiasmo pelo comunismo foi gradativamente diminuindo. Mas nada consolidou mais a minha oposição à mentalidade revolucionária do que ler as próprias obras dos autores comunistas: Marx, Engels, Lênin, Trotsky, Bukhárin, Gramsci, Althusser, Lukács, Che Guevara e muitos outros. Paulo Francis estava certo: "A melhor propaganda anticomunista é deixar o comunista falar".

O que aconteceu no Brasil e no continente americano nos últimos anos é mais uma das nefastas consequências daquele projeto político iniciado em São Petersburgo há 99 anos, em outubro de 1917. A sem-cerimônia com que os esquerdistas de nosso tempo aliciam crianças e assaltam o Estado para consolidar seus projetos de poder tem origem naquele ano fatídico.

Um dia eu descobri que a verdadeira mensagem de 1917 não estava no golpe de São Petersburgo, mas do outro lado da Europa: no milagre da aparição de Nossa Senhora a três crianças do povoado de Fátima, em Portugal. Na ocasião, meses antes da revolução de Lênin e Trotsky, a Mãe de Deus disse claramente aos pastorzinhos Lúcia, Jacinta e Francisco: "A Rússia espalhará seus erros pelo mundo".

Vamos continuar tapando os ouvidos? Vamos deixar nossas crianças nas mãos dos militantes?

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