Confissões de um subversivo de direita
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de dezembro de 2018
Paulo Briguet 

Parem, eu confesso! Sou um perigoso subversivo de direita. Minha vida é trabalhar a favor do capital, sob as ordens dos serviços secretos americanos e israelenses. Graças a isso, tornei-me riquíssimo: hoje sou proprietário de uma rede de casas de repouso para conservadores na Flórida. Escrevo por hobby; esses boletos que estão aí são só para despistar.
Nos últimos tempos, sinto-me como um militante clandestino na época da ditadura. Isso porque tenho participado das reuniões do projeto "UEL - A Casa da Tolerância". Somos um pequeno grupo de professores, alunos e espiões (como eu) dedicados a questionar a hegemonia esquerdista no ambiente universitário. Ao me dirigir para os encontros da Casa da Tolerância, sob os olhares desconfiados dos estudantes do CCH, eu me senti o próprio camarada Federico Sánchez, codinome do escritor Jorge Semprún em seus tempos de militância clandestina na Espanha de Franco.
Na semana passada, dois dias depois de nossa última reunião, houve um ciclo de debates no CCH intitulado "As apropriações da História pela nova direita". É lógico que só convidaram debatedores de esquerda. Como era de se esperar, a "nova direita" (essa que elegeu Jair Bolsonaro, e que também atende pelo nome de povo brasileiro) é associada a tudo aquilo que existe de pior, intolerável, imperdoável e abominável: autoritarismo, totalitarismo, nazismo, fascismo, machismo, racismo, homofobia, tortura e assassinato. Mais uma vez, a UEL promove um debate entre a esquerda e a esquerda para atacar a direita com os xingamentos mais cabeludos. Como diz Roger Scruton, a mera existência de uma pessoa de direita é considerada um erro.
Mas a perseguição à "nova direita" - a essa gente que votou em Jair Bolsonaro - não se limita ao campus universitário. Nos muros do Colégio Aguilera, em Londrina, há cartazes com os seguintes dizeres:
"ZONA ANTIFASCISTA: Atenção! Essa não é uma boa área para quem discrimina pessoas negras, homossexuais, pobres, moradores de rua, mulheres e trabalhadores. Fascistas, nazistas, carecas e apoiadores de Jair Bolsonaro não são bem-vindos aqui! FORAM AVISADOS!"
Quem escreveu essas palavras nem imagina que está obedecendo, feito um miquinho amestrado, à ordem de Josef Stálin após a Segunda Guerra Mundial: chamar de "fascista" todo aquele que se opusesse ao projeto do socialismo internacional. Tecnicamente, esse processo se chama "enquadramento" (framing). Durante toda a campanha eleitoral, tentaram fazê-lo com Bolsonaro (até mesmo quando ele foi esfaqueado). Agora, pretendem usar a estratégia contra todos aqueles que votaram no Capitão. Em suma, a esquerda declarou guerra ao povo brasileiro.
Mas, apesar de tudo, meus chefes da CIA e do Mossad estão felizes. Já subvertemos negros, brancos, homossexuais, héteros, pobres, ricos, moradores de rua, moradores de mansões, homens, mulheres, jovens, velhos e trabalhadores; eles estão ao nosso lado, ao lado da realidade, da sinceridade, do amor ao próximo. Companheiros, a revolução está apenas começando!
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