Imagem ilustrativa da imagem Como identificar um picareta
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Tenho um critério infalível para identificar o picareta ideológico: é o cara que chama de "fascista" quem não concorda com ele. Embora muito utilizado por certos militantes acadêmicos atuais, esse truque não tem nada de novo. Quem o disseminou foi o canalha-mor Josef Stálin, no final dos anos 30, doido para pregar um rótulo nos democratas liberais e abafar a péssima impressão causada pelo pacto Ribbentrop-Molotov, em que nazistas e comunistas se aliaram. Desde aquela época, a modinha do camarada Stálin pegou: se você não concorda com a esquerda ou faz alguma coisa que não agrada aos companheiros, você é um fascista.

Se há uma coisa que nunca fui ou serei nesta vida, é fascista. Já fui comunista, e me envergonho muito disso, mas do fascismo jamais me aproximei. A famosa frase de Mussolini —"Tudo para o Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado" — é um resumo de tudo aquilo que não defendo e nunca defenderei. Trata-se de uma fórmula certa para o caos, a servidão e a morte.

Agora, sejamos francos: a frase de Mussolini poderia ter saído da boca de vários ideólogos esquerdistas de nosso tempo. Basta possuir um mínimo de apreço pela realidade dos fatos para perceber que os muito mais próximos do fascismo, hoje em dia, são aqueles que xingam os adversários de fascistas. Se eu tivesse a coragem de usar um termo tão horrível quanto "fascistização", só poderia aplicá-lo aos movimentos sociais de esquerda, escorraçados pelas urnas, mas ainda poderosos nas universidades, escolas, igrejas, tribunais, conselhos "populares" e outras instituições. Mas esses aí não são tecnicamente fascistas; são socialistas, e se orgulham disso.

Pouca gente fala no assunto, mas fascismo e socialismo têm uma origem histórica muito semelhante. No livro "Tempos Modernos", o historiador inglês Paul Johnson descreve a fascinação do líder revolucionário russo Vladimir Lênin, então exilado na Suíça, pelos progressos do jovem militante socialista Benito Mussolini na Itália. Em 15 de julho de 1912, Lênin escreveu com entusiasmo no jornal Pravda: "O partido do proletariado italiano tomou o rumo certo".

Paul Johnson assinala algumas características comuns entre Lênin e Mussolini: 1) ambos eram totalmente opostos a parlamentos burgueses ou qualquer tipo de "reformismo"; 2) encaravam o partido como uma agência ferozmente disciplinada, hierarquizada e centralizada; 3) procuravam formar revolucionários profissionais; 4) não confiavam na capacidade de organização do proletariado; 5) achavam que a consciência revolucionária seria levada às "massas" por uma vanguarda; 6) acreditavam que a violência seria o árbitro final da luta de classes.

Anos mais tarde, o sentido da admiração mudou: foi Hitler quem ficou fascinado pela tecnologia dos campos de concentração comunistas (iniciados por Lênin) e com a crueldade de Stálin em eliminar aliados incômodos.

Comunismo e fascismo são gêmeos siameses. Quando alguém usa o termo "fascista" como xingamento, em geral está querendo esconder esse parentesco intrauterino. Cuidado com os picaretas ideológicos!

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