Carta de uma brasileira sobre as eleições
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terça-feira, 02 de outubro de 2018
Paulo Briguet 

"Paulo,
Você me perguntou quais os meus sentimentos sobre os acontecimentos no Brasil de ontem e de hoje.
Pois bem: Sou filha dos tempos da ditadura. Entrei na Faculdade em 1964, saí no AI-5, em 1968. Não apoiava os militares e na escola sempre votei para o partido renovador da Faculdade; sempre tive uma posição progressista, ao contrário das minhas melhores amigas, que prestigiavam o partido conservador.
Entrei na faculdade pública, por mérito. Filha de operário, como o LULA, estudei em escola pública.
Fiz concurso público. Tive carreira digna, constituí família. Nunca fui importunada por minhas crenças políticas, sociais, religiosas. Meus amigos me respeitavam e eu os respeitava. Havia educação, mais respeito entre as pessoas.
Daí veio o primeiro governo petista na Prefeitura onde eu trabalhava. Sabe a primeira palavra que me disse meu novo chefe? "Esta Secretaria (que cuidava de assuntos de servidor) passa a ser a secretaria do sim e não mais do não". Retruquei: "Mas o que vale é a lei". Ele disse: "Não mais".
E é esse "não mais" que tenho visto a partir de então, nessa sucessão de governos petistas, em todas as esferas. Não mais a lei, a ordem, o respeito (quanto pior melhor), não à honestidade. Colocaram um divisor na sociedade: o nós e eles. Assisto à miséria moral no mensalão, no petrolão.
Vejo um criminoso ser aplaudido, incensado, adorado. E vejo o Cristo, e Nossa Senhora serem massacrados em praça pública, por um bando de pessoas nuas, tentando defender um não sei o quê: ideologia de gênero, o direito de abortar, a escola com partido, e tantas outras ideias e atitudes? Quem os impede de serem o que são, o que querem ser, o que pregam? Será que é à força que se consegue que as novas ideias e pensamentos sejam respeitados?
Já vi Cuba e senti o povo que não fala, tem medo. Aceita tudo. Vi os venezuelanos, em Roraima, com malas e sacos, fugindo do País. Triste ver famílias inteiras, crianças, moços, velhos, se acotovelando no aeroporto, deixando sua história para trás e tomando avião para ir embora para Foz do Iguaçu, Argentina, Paraguai. Será esse o destino do nosso Brasil?
Ontem fui assistir ao grande Andrea Bocelli. Que perfeição, que ternura, que emoção. Olhei para os céus e vi anjos! Por pouco tempo. Precisava voltar para minha casa, que fica bem perto. Poderia ir a pé. Não fui. Motivo: medo. Medo de ser assaltada na rua.
E é isso que tenho hoje: MEDO. No tempo da ditadura, não tinha medo.
Hoje tenho e muito, não tanto por mim, afinal sou mais velha, o que poderá acontecer comigo? Mas temo por meus filhos e netos, pelas crianças que habitam nosso solo. Que País será o nosso? As reformas preconizadas pelo petista me amedrontam. Oro muito. Peço a Nossa Senhora Aparecida: - Rogai por nós, salvai o Brasil."
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