Imagem ilustrativa da imagem Carta de um leitor descontente
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Seria uma injustiça publicar aqui na Avenida Paraná apenas mensagens elogiosas a este cronista de sete leitores. No mesmo dia em que divulguei a generosa e simpaticíssima carta da leitora Idiméia de Castro, apareceu em minha caixa postal o e-mail de um leitor que denominarei apenas pelas iniciais D. J., não por haver qualquer problema com sua identidade, mas apenas para evitar uma exposição não autorizada. O e-mail é destinado, na linha de assunto, ao "Sr. Paulo Sectarista Briguet". E assim diz, ipsis litteris:
"Fico a imaginar... tanta gente boa que escreve bem, sem indignação seletiva, sendo imparcial nas suas colocações principalmente quando se trata de um veículo de comunicação e informação. E você continua a escrever destilando sua ideologia falida e segregadora. Seu ego sectarista enjoa qualquer leitor com um mínimo de bom senso!
Quantos poderiam ocupar aquele pedacinho de papel com coisas muito mais construtivas para o intelecto geral do que com seu self-ego-factóide diário. Você não passa de mais um desabono social instituído por uma educação falha e influenciada por ditames de uma elite parasitária e apátrida, sendo vira-latas de uma cultura de terror que inferniza o mundo a séculos.
Demônio odioso é o que você aparenta ser, quando se refere à aquilo que não concorda ou que diante dos seus valores de cristão (podre), não são certos.
Seu deus do amor e da solidariedade não aprovaria isso.
Alguém com tamanha responsabilidade na produção de conceitos, no que se refere ao espaço pra se expor, usando isso como desabafo pessoal. Você é vítima da indução ao ódio daqueles que não pensam ou não querem um mundo como você quer, contra o pensar diferente... sinto pena!
Asas pra quem não sabe voar...
Lá se foram 5 minutos que eu poderia melhor aproveitar!
D. J."
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E então, o que vocês sete acharam? Notem que D. J., apesar de certamente não se considerar um de meus leitores, possui uma certa fidelidade a esta coluna.
Dizia o grande Nelson Rodrigues: "O inimigo é fiel. O inimigo é aquele que vai cuspir na sua cova". Embora uma carta, mesmo uma carta raivosa, não seja suficiente para que eu considere alguém como inimigo, confesso que essa fidelidade ao meu trabalho — e o trabalho de escrever todos os dias não é um dos mais fáceis do mundo — acaba por me deixar enternecido. O ódio, pelo menos o ódio verbal e inócuo, ainda é preferível ao simples desprezo.
O mesmo esforço que fez a professora Idiméia sorrir faz o crítico D. J. estrilar; e esse paradoxo não deixa de ser encorajador. Como bem sabia Chesterton, é o paradoxo que nos move rumo à salvação.
A todos que diariamente perdem cinco minutos de seu tempo com a Avenida Paraná, deixo o meu mais profundo agradecimento. Isso inclui você, D. J.! Dia desses podemos tomar um café (cerveja não, porque estou sem beber este ano).
Fale com o colunista: [email protected]

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