Imagem ilustrativa da imagem Carta ao pequeno Charlie
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Querido irmãozinho,

Você ainda não sabe ler, mas espero que esta carta chegue até seus corajosos pais. Todos sabemos que você nasceu em condições muito especiais e está internado no hospital infantil Great Ormond Street, em Londres. Sabemos que seus pais tentaram de tudo para buscar um tratamento adequado aos seus problemas de saúde. Diante de um diagnóstico fatal, eles buscaram e acharam uma solução: transportá-lo, em condições adequadas, para os Estados Unidos, onde um médico se dispôs a realizar um tratamento alternativo como última esperança. Seus pais fizeram uma campanha na internet e conseguiram, através de doações voluntárias, a quantia de dinheiro necessária para custear o transporte e o tratamento nos EUA.

Acontece que as autoridades médicas britânicas não pensaram da mesma forma. Para os doutores, a única solução é desligar os aparelhos e deixá-lo morrer aos dez meses de idade. O caso foi levado até o "Tribunal Europeu de Direitos Humanos" e a sentença saiu esta semana. Uma sentença de morte — para você, uma criança. É isso o que o Estado europeu tem a lhe oferecer: a morte "com dignidade". Sei.

A cena de seus pais chorando após a decisão do tribunal — seu pai carregava o macaquinho de pelúcia de que você tanto gosta — calou-me fundo na alma. Aonde chegamos em nossa frieza, em nosso descaso, em nossa indiferença perante o que é mais sagrado?

Sabe, Charlie, tenho pensado muito em você. Estava olhando as fotos do Pedro, meu filho de sete anos, quando ele era pequenino como você: tão frágil e ao mesmo tempo tão perfeito, tão lindo, tão pleno de esperança! Moro em um país devastado pela corrupção e pela insanidade, mas, quando vejo meu filho, sinto vontade de trabalhar e lutar para que as coisas melhorem. Você também é um símbolo de esperança para uma Europa devastada pelo terror, pelo medo, pela arrogância. Uma Europa que voltou as costas a Deus. Uma Europa pela qual choram seus padroeiros.

Por você eles choram, Charlie. Chora Nossa Senhora de Fátima. Chora São Bento. Chora São Maximiliano Kolbe. Chora Santa Edith Stein. Chora Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face. Chora São João Paulo II, que há muito nos alertou sobre tudo isso. Chora o Padre Kentenich. Chora Madre Leônia, a santa aqui da minha cidade. Em algum lugar do Vaticano, chora o papa emérito Bento XVI, o maior pensador vivo. E acredito que chora também o papa Francisco. Todos choram por você, meu pequeno amigo.

Charlie, eu moro numa cidade cujo nome vem de Londres. Chama-se Londrina, fica no Sul do Brasil. Aqui o prefeito acaba de sancionar uma lei para proteger os seus irmãozinhos que ainda não nasceram, que estão no ventre de suas mães. Fiquei muito feliz com a decisão do prefeito, acredito que foi um marco histórico, um divisor de águas na sua gestão.

Espero que aconteça um milagre, Charlie. E um dia eu gostaria de convidá-lo a conhecer nossa cidade e jogar futebol com o Pedro. Não sei se você torce para o Arsenal ou o Chelsea; o Pedro adora o Manchester City, por causa do Gabriel Jesus. Com a sua idade, ele já sabia pronunciar o santo nome: Jesus. Ele dizia algo como "Jusuis", mas nós entendíamos. Um dia vocês vão brincar juntos.

Fique com Deus,
Paulo.

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