Carta a uma estrela-guia

Depois de ter uma conversa que poderia mudar o rumo da minha vida, decidi passar na livraria. Na prateleira de literatura americana, um título me chamou a atenção: "Diário de um ladrão de oxigênio". Há livros que me conquistam assim, apenas pelo título. Comprei o livro e já comecei a ler.
Mas o enredo do livro comentarei depois. Hoje gostaria de falar sobre a minha tentativa diária de fazer alguma coisa boa na vida e não ser considerado um simples ladrão de oxigênio. Quem pode me ajudar nessa empreitada, vocês sete já sabem, é Deus. E quem pode me levar até Ele? Os santos. Mas os santos mais famosos estão sempre muito ocupados. Devo procurar uma alma mais discreta, menos atribulada com tantos pedidos mundanos. Vou pedir ajuda à Irmã Mariavirgo.
Para quem não conhece, Irmã Mariavirgo Moser (1910-2000) durante muitos anos trabalhou na portaria do Colégio Mãe de Deus, onde moram as irmãs de Schoenstatt em Londrina. Nunca a vi pessoalmente, mas conheço-a pelo relato de muitas pessoas e por uma circunstância interessante: as cartas enviadas por ela à família na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, e que só foram descobertas após o seu falecimento.
Mesmo naquela época difícil, marcada por tanta morte e injustiça, as cartas de Ir. Mariavirgo eram cheias de esperança. Talvez por isso tenham sido censuradas pela polícia nazista.
Ir. Mariavirgo chegou a Londrina em 1939. Durante muitos anos foi professora do jardim da infância. Depois, tornou-se porteira da casa das irmãs, função que muito lhe agradava, pois lhe permitia fazer contato direto com as pessoas, ouvindo-as, aconselhando-os e principalmente rezando por elas. Leila Haikal Giglio, ex-aluna do Mãe de Deus, me disse que Irmã Mariavirgo recomendava rezar não apenas uma, mas três Salve-Rainhas quando havia algum pedido importante a fazer. Posso garantir que dá certo!
Se os nazistas abriram as cartas de Mariavirgo, Mariavirgo abriu as portas para várias gerações de londrinenses, desde os tempos em que superou a barreira do idioma e educou crianças pequenas no jardim da infância. Mais tarde, já na velhice, ela abriu as portas para um mundo de pessoas que buscavam paz, conhecimento e consolação no santuário católico.
Numa das cartas que não chegaram ao destino, Mariavirgo descreve o céu noturno de Londrina. "As estrelas são muito lindas, principalmente o Cruzeiro do Sul, que a gente pode ver de uma maneira admirável". Como se a escrita não fosse o bastante, ela desenhou a constelação no papel da carta.
No livro "A Infância de Jesus", o papa Bento XVI diz que o tempo da astrologia terminou assim que os Magos do Oriente encontraram o Menino Jesus. A partir daquela noite, as estrelas passaram a ser as pessoas. Mariavirgo é uma delas. Minha pequena estrela-guia.
Irmã Mariavirgo, hoje sou eu que escrevo a você. Por favor, peça a Deus que abra as portas de um novo tempo a todos nós, para que não sejamos meros ladrões de oxigênio, mas construtores da boa obra.
Fale com o colunista: [email protected]





