Brasília Cracolândia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de junho de 2017
por Paulo Briguet 
Imagine um campo de concentração para o qual as pessoas se dirigem espontaneamente, em busca de alguma coisa que só podem encontrar lá. Imagine que esta coisa seja um veneno terrivelmente mortal e viciante. Imagine que, uma vez instalados naquele ambiente infernal, os usuários nunca mais queiram abandoná-lo, mesmo sofrendo devastadoras consequências na saúde do corpo e da alma. O leitor mais atento já deve ter percebido que estou falando de dois lugares: Brasília e Cracolândia.
Os viciados do crack e do poder são igualmente miseráveis. Tornaram-se escravos de si mesmos. São capazes de fazer qualquer coisa incluindo roubo, prostituição e assassinato para obter mais uma dose do maldito veneno. Conforme o tempo passa, as quantidades necessárias para acalmar o usuário são cada vez maiores. A diferença é que os viciados da Cracolândia querem a pedra, e os viciados de Brasília querem a verba. Os usuários do crack precisam de ajuda, os usuários do poder precisam de punição. Para os casos mais graves, só há uma saída: a internação forçada. Aos pobres e inocentes, a clínica. Aos ricos e bandidos, a cadeia.
Finalmente um prefeito teve a coragem de enfrentar a questão do inferno instalado na área central de São Paulo. A cumplicidade do poder público diante da aniquilação de seres humanos que há muito deixaram de ter qualquer vontade própria ou liberdade pessoal era uma vergonha inominável para a maior cidade do Brasil. É claro que o problema não será resolvido da noite para o dia, mas alguma coisa precisava ser feita. O mesmo vale para outras cidades incluindo a nossa.

Aqueles que defendem a manutenção da Cracolândia e repudiam a internação forçada de usuários comportam-se exatamente como os guardas de campos nazistas e comunistas que não queriam a libertação de seus prisioneiros.
De modo análogo, existe no Brasil uma elite de militantes que, alijados de suas verbas e de suas benesses, tentam a qualquer custo reconduzir ao poder a classe bandida que destruiu o País, ainda que seja rasgando a Constituição e apelando às urnas amigas da Smartmatic.
Liderada por um presidente-zumbi, parte da casta criminosa, cúmplice da devastação, tenta se manter no Palácio do Planalto como um usuário de crack se apega ao último cachimbo. E assim governo e oposição se aliam em um grande "acordão" para evitar que o povo brasileiro assuma o controle do País.
Brasília e Cracolândia são duas cidades do futuro. Duas filhas da utopia, duas realizações coletivas, dois projetos de engenharia social que fariam o orgulho nos grandes ideólogos revolucionários de nosso tempo. Não se iludam: o que os militantes do caos desejam é aniquilar tudo de bom, belo e justo que ainda há no País. Por isso, precisamos ser mais fortes e mais corajosos que eles.
Para os viciados do crack, tratamento já.
Para os viciados do poder, cadeia já.
O resto é conversa dos guardas do campo de concentração.


