"O mito é o nada que é tudo."
(Fernando Pessoa)

Agora diga com sinceridade: você ficou surpreso com a lista do Fachin? Conhece alguém que ficou surpreso, além dos correligionários de sempre? Alguma pessoa mentalmente sã acredita que os brasileiros não mortadelizados sairão às ruas para defender políticos pilantras?

É claro que não. A Lava Jato está fazendo o enterro coletivo da classe política brasileira. Há apenas dois destinos para aqueles que governaram o Brasil nas últimas décadas: o ostracismo ou Curitiba.

No entanto, depois de mandar essa gente toda para a cadeia, restará um país a reinventar. O vácuo do poder será ocupado por alguém. É gritantemente óbvio que a solução não passa por nenhum dos partidos ou lideranças que mandaram no país desde o advento da Nova República, há 32 anos. Deixemos que os mortos-vivos enterrem seus mortos-vivos.

Quem sobrou, então? Até o momento — sublinho: até o momento — restam o Dória e o Bolsonaro. Gosto deles, mas sei que têm problemas. O capitão é um homem corajoso, mas meio tosco, sobretudo nas questões econômicas. Dória está se mostrando um ótimo gestor e não tem medo da mídia. O problema são os tucanos e uma certa euforia "liberteen", um certo glamour Hillary Clinton em torno dele. Pessoalmente, acho que Ronaldo Caiado, Simone Tebet e Álvaro Dias seriam bons presidentes: mas cadê a viabilidade eleitoral?

Imagem ilustrativa da imagem Bolsodória
| Foto: Shutterstock



De qualquer modo, as coisas se encaminham para a eleição de um personagem que chamarei de Bolsodória. Por isso, faço aqui uma advertência aos meus ex-companheiros esquerdistas: a cada pisada na bola que vocês derem, estarão colocando o Bolsodória no Palácio do Planalto.

A cada greve política, a cada manifestação com bandeiras vermelhas e quebra-quebra, a cada invasão de prédios públicos ou propriedades privadas, vocês estão elegendo o Bolsodória.
A cada entrevista da Dilma para a imprensa internacional, vocês estão elegendo o Bolsodória.

A cada vez que um professor marxista faz doutrinação política em sala de aula, vocês estão elegendo o Bolsodória.

A cada mentira que o líder de vocês conta para tentar escapar da cadeia, vocês estão elegendo o Bolsodória.

A cada barulho de meia-dúzia de gatos pingados a favor do aborto ou da ideologia de gênero, vocês estão elegendo o Bolsodória.

A cada agressão, cuspida, xingamento, calúnia e difamação, vocês estão elegendo o Bolsodória.

A cada perseguição e tentativa de censura, vocês estão elegendo o Bolsodória.

A cada defesa de bandidos e terroristas, vocês estão elegendo o Bolsodória.

A cada ataque à família, aos empreendedores e aos policiais, vocês estão elegendo o Bolsodória.

A cada tentativa de desqualificar a Lava Jato, vocês estão elegendo o Bolsodória.

Mas será que o Bolsodória vai salvar o país? Sinceramente, acho difícil. Muito mais importante é resgatar a alta cultura e a identidade brasileira, que se perderam em algum lugar do passado. Sem uma profunda reinvenção cultural, o Bolsodória pode deixar de ser mito para se tornar mico.

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