"Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para queimar", dizia Tolstói. Há quem olhe para nossa cidade e só veja defeitos. Eu não sou assim. Quando olho para Londrina, eu vejo uma santa: Madre Leônia Milito. Sim, eu sei que o seu processo de beatificação ainda está tramitando no Vaticano, sob a responsabilidade da querida e competente Irmã Terezinha de Almeida. Mas o reconhecimento da santidade é apenas uma questão de tempo, assim como no caso do Padre José Kentenich, fundador da Obra de Schoenstatt. O milagre virá. Ele sempre vem.

De certa forma, um milagre de Madre Leônia e do Padre Kentenich já aconteceu: é a própria cidade de Londrina, que eles ajudaram a construir e educar, mesmo tendo nascido — e, no caso do padre, permanecido a maior parte da vida — na Europa. Algo une esses dois santos: uma visão mundial da fé, que hoje se espalha pelos cinco continentes. Uma fé que desconhece fronteiras e amorosamente firma raízes em todas as sociedades e culturas.

Outro dia fui entrevistado por uma moça curitibana, muito gentil, que cometeu a insensatez de me pedir para falar de Londrina. É claro que falei um tempão. Mas uma das coisas mais importantes que eu disse foi em forma de pergunta:

— Você sabe que Londrina tem uma santa?

Ela não sabia. E ficou feliz com a notícia.

Muitos se orgulham de ter um santo em seu país; outros, de ter uma santo em sua cidade. Eu vou um pouco além: tenho uma santa em minha rua! O futuro santuário de Madre Leônia está aqui, pertinho de mim. Todos os dias posso visitá-la. Ontem foi aniversário dela.

Tenho dois lugares preferidos na cidade: o Santuário de Schoenstatt, no Colégio Mãe de Deus, e o Bosque da Ressurreição, que é o jardim da santa londrinense. Como todos os bosques, este possui um anjo na entrada, para proteger os visitantes de todo o mal. Gosto de ir para lá quando preciso rezar, pensar na vida, inspirar-me para escrever, ficar alguns minutos em silêncio — em outras palavras, sempre.

Hoje tive uma bela surpresa ao visitar o Bosque da Ressurreição: achei os nomes de todas as irmãs já falecidas da Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret. Ao contemplar os nomes daquelas mulheres que deram suas vidas a Cristo, pensei nas histórias de fé, sacrifício e devoção que existem em cada uma delas. No mesmo cantinho do bosque, há uma placa com a perturbadora e inesquecível resposta de Jesus a Marta: "Eu sou a ressurreição e a vida".

Sempre que as coisas parecem difíceis demais, sempre que os problemas do dia a dia e as miudezas da política me deixam transtornado, sempre que o inimigo ruge como um leão à minha volta, sempre que a agonia do Getsêmani e a mancha do pecado original se manifestam em meu ser — eu penso na frase que está no bosque. Mesmo que você não tenha fé, amigo leitor, procure repetir mentalmente essas palavras nos momentos difíceis: "Eu sou a ressurreição e a vida".

Talvez um milagre aconteça.

Fale com o colunista: [email protected]

mockup