AVENIDA PARANÁ
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de junho de 2016
por Paulo Briguet 
"Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para queimar", dizia Tolstói. Há quem olhe para nossa cidade e só veja defeitos. Eu não sou assim. Quando olho para Londrina, eu vejo uma santa: Madre Leônia Milito. Sim, eu sei que o seu processo de beatificação ainda está tramitando no Vaticano, sob a responsabilidade da querida e competente Irmã Terezinha de Almeida. Mas o reconhecimento da santidade é apenas uma questão de tempo, assim como no caso do Padre José Kentenich, fundador da Obra de Schoenstatt. O milagre virá. Ele sempre vem.
De certa forma, um milagre de Madre Leônia e do Padre Kentenich já aconteceu: é a própria cidade de Londrina, que eles ajudaram a construir e educar, mesmo tendo nascido e, no caso do padre, permanecido a maior parte da vida na Europa. Algo une esses dois santos: uma visão mundial da fé, que hoje se espalha pelos cinco continentes. Uma fé que desconhece fronteiras e amorosamente firma raízes em todas as sociedades e culturas.
Outro dia fui entrevistado por uma moça curitibana, muito gentil, que cometeu a insensatez de me pedir para falar de Londrina. É claro que falei um tempão. Mas uma das coisas mais importantes que eu disse foi em forma de pergunta:
Você sabe que Londrina tem uma santa?
Ela não sabia. E ficou feliz com a notícia.
Muitos se orgulham de ter um santo em seu país; outros, de ter uma santo em sua cidade. Eu vou um pouco além: tenho uma santa em minha rua! O futuro santuário de Madre Leônia está aqui, pertinho de mim. Todos os dias posso visitá-la. Ontem foi aniversário dela.
Tenho dois lugares preferidos na cidade: o Santuário de Schoenstatt, no Colégio Mãe de Deus, e o Bosque da Ressurreição, que é o jardim da santa londrinense. Como todos os bosques, este possui um anjo na entrada, para proteger os visitantes de todo o mal. Gosto de ir para lá quando preciso rezar, pensar na vida, inspirar-me para escrever, ficar alguns minutos em silêncio em outras palavras, sempre.
Hoje tive uma bela surpresa ao visitar o Bosque da Ressurreição: achei os nomes de todas as irmãs já falecidas da Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret. Ao contemplar os nomes daquelas mulheres que deram suas vidas a Cristo, pensei nas histórias de fé, sacrifício e devoção que existem em cada uma delas. No mesmo cantinho do bosque, há uma placa com a perturbadora e inesquecível resposta de Jesus a Marta: "Eu sou a ressurreição e a vida".
Sempre que as coisas parecem difíceis demais, sempre que os problemas do dia a dia e as miudezas da política me deixam transtornado, sempre que o inimigo ruge como um leão à minha volta, sempre que a agonia do Getsêmani e a mancha do pecado original se manifestam em meu ser eu penso na frase que está no bosque. Mesmo que você não tenha fé, amigo leitor, procure repetir mentalmente essas palavras nos momentos difíceis: "Eu sou a ressurreição e a vida".
Talvez um milagre aconteça.
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