Lembranças de Paulo Bernardo
O nome Paulo quer dizer pequeno. Conheço Paulo Bernardo desde o tempo em que ele era pequeno, quase anônimo. Quando comecei a militar no movimento estudantil, PB era um simples bancário e aluno da UEL. Mas acabou saindo candidato a deputado federal pelo PT. Sua ascensão foi — perdoem-me o clichê — meteórica. De deputado federal para secretário municipal, de secretário municipal em Londrina para secretário estadual no Mato Grosso do Sul, e daí para ministro dos governos Lula e Dilma. Durante muito tempo, meu xará ocupou altos cargos no PT nacional. Sua mulher, a atual senadora Gleisi Hoffmann, chegou a ministra-chefe da Casa Civil. Na época, Paulo e Gleisi eram o casal mais poderoso do País.

Já tive algumas conversas e entrevistas com Paulo Bernardo. Nunca chegamos a ser amigos, mas confesso que votei nele para deputado federal em 1994 e prefeito em 1996, no primeiro turno. Naquele ano, Antonio Belinati se elegeu prefeito de Londrina com apoio de PB no segundo turno, e minha visão sobre meu xará começou a se tornar bastante negativa. O apoio ao belinatismo pareceu-me uma traição aos ideais da esquerda (depois eu descobriria que o problema está justamente nos ideais). Em 1998, ele chegou a fazer dobradinha com os candidatos belinatistas.

Aí está a importância do nome Paulo Bernardo: ele é o elo entre o belinatismo e o lulopetismo. Sempre digo que Lula foi o Belinati do Brasil. O ciclo Lula-Dilma tem incríveis semelhanças com as gestões belinatistas. Nem vou entrar no quesito corrupção: basta compararmos o culto à personalidade, o clima persecutório e a irresponsabilidade fiscal das duas administrações. Guardadas as diferenças entre um município e um país, Londrina foi um microcosmo do Brasil com alguns anos de antecedência.

Sim, o Petrolão nasceu em Londrina — e a Lava Jato também. O laboratório do Petrolão, primeiro teste do veneno que viria a destruir o País, foi a nossa cidade. Mas, de onde veio o veneno, criou-se também o remédio. Quem está contra a Lava Jato, está contra o Brasil.
Eu poderia falar de muitos episódios e "coincidências" na trajetória de Paulo Bernardo. Poderia falar sobre o seu papel na área de comunicações, sobre sua passagem pelo governo sul-mato-grossense, sobre os empréstimos consignados. Mas deixemos isso tudo para depois. Agora eu queria só lembrar um episódio curioso.

Em 1999, quando se revelou "a lista do Zavierucha", com os nomes de quem recebeu dinheiro na campanha de 1998, foi encontrada a sigla PB, ao lado de um número. A ninguém ocorreu que o tal PB poderia ser Paulo Briguet, pois eu era (e ainda sou) um mero pé-rapado. Os promotores naturalmente associaram a sigla a outra pessoa: meu xará petista, que está preso agora.

Eu continuo pequeno, mas livre. No fim, é melhor ser o PB pobre da história.



Fale com o colunista: [email protected]

mockup