Resposta de mãe
No último domingo, Dia de Pentecostes, minha irmã Fernanda estava fazendo a limpeza em um armário de sua casa. Em certo momento, a sua filha Liz, de 8 anos, olhou para uma velha caixa no alto do móvel e disse: "Mamãe, eu quero ver o que tem dentro daquela caixa". Fernanda abriu a caixa e viu que estava cheia de fotos e papéis antigos de nossa família. Um dos papéis era um envelope amarelecido pelo tempo. Dentro dele, havia uma carta de nossa mãe, Aracy, à nossa avó materna, Maria. A carta é de 14 de maio de 1950, exatamente 66 anos atrás. Consultando o calendário, verificamos que o segundo domingo de maio em 1950 caiu no dia 14. Era uma carta de Dia das Mães.

Meus sete leitores sabem que há poucos dias publiquei, aqui na #AvenidaParaná, uma carta de Dias das Mães para Aracy. Jamais poderia esperar que minha mãe respondesse — mas foi exatamente isso que ela fez, graças à sua filha e sua netinha.

A carta da pequena Aracy — que tinha 9 anos na época — é de uma suavidade angelical. Numa letra de mão caprichosa, ela diz:

"Querida mãezinha,

Quem escreve esta carta é sua filha que muito a estima e adora.

Escrevo esta carta com o coração cheio de alegria.

Agradeço tudo que me fez dando-lhe um pequeno presente.

Prometo ser muito boa para a senhora.

Que Nossa Senhora a proteja, minha mãezinha, e que ela esteja sempre ao meu lado.

Um beijo bem forte no seu coração."
Na minha carta a Aracy, eu falava sobre as rimas entre as palavras e as pessoas. Qual não foi a minha emoção ao descobrir que o presente a que ela se refere na carta é um pequeno poema, parecido com os versos que o Pedro começa a querer escrever. Eis o que nos diz minha mãe, com sua voz e letra de menina cheia de sonhos:

"Eu amo minha mãezinha

De todo meu coração.

Quando me chama filhinha,

Fico cheia de emoção.


A sua fala tão doce

Repassada de carinhos

Canta dentro de minh’alma

Como a música dos ninhos.



É a música dos ninhos.

As conversinhas das aves

Falam dos pais e filhinhos

Nos gorjeios mais suaves.



Minha mãezinha gentil,

Serei menina aplicada

Para dar-te gostos mil."


A carta de minha mãe, encontrada no Domingo de Pentecostes, veio iluminar o nosso coração com os dons que ela sempre cultivou na vida: piedade, fortaleza, sabedoria, temor de Deus, entendimento, ciência e conselho.

Obrigado por responder ao meu chamado, mãe!



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