AVENIDA PARANÁ
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de abril de 2016
por Paulo Briguet 
Muito além do impeachment
1. Há 41 anos, no dia 19 de abril de 1975, Madre Leônia Milito escreveu em seu diário espiritual: "Estes últimos dias são preciosos para minha existência, servem para reparar o passado e santificar o presente". Levei o diário da santa de Londrina para a votação do impeachment como forma de me orientar nos momentos de dúvida e angústia, que sempre me acometem em situações parecidas. Deu certo. A santa me ajudou. Em Brasília, encontrei a história.
2. Tive dois momentos marcantes no Congresso. Um deles foi encontrar a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP), um dos grandes símbolos da luta contra o PT. Mara ficou tetraplégica em um acidente de carro em 1994, mas a maior provação de sua vida foi enfrentar o esquema de corrupção montado na Prefeitura de Santo André. Por se negar a pagar propina à administração petista, a família Gabrilli sofreu pesadas perseguições. O pai de Mara morreu em 2011. Ao entrevistá-la, vi as lágrimas nos olhos da lutadora ao relembrar Luiz Alberto Gabrilli. Vencer o PT, diz Mara, foi mais difícil e importante que superar a tetraplegia.
3. Outro momento especial foi conversar com o ex-deputado Roberto Jefferson. Ele não se apresenta como santo ou mártir, mas deve-se reconhecer que ele foi o primeiro a enfrentar diretamente a organização petista. Sem a sua denúncia do Mensalão, provavelmente hoje teríamos José Dirceu na Presidência, e não na cadeia.
4. Conversando com o deputado paranaense Paulo Martins (PSDB), aluno do filósofo Olavo de Carvalho (citado duas vezes na sessão deste domingo), chegamos à mesma conclusão: a vitória do impeachment na Câmara é apenas o início de uma longa luta política e cultural. Vale lembrar mais uma vez o lema de Paulo Mercadante: "Não parar, não precipitar, não retroceder".
5. Muitos esquerdistas criticaram o fato de que os deputados mencionaram os nomes de familiares na declaração de voto a favor do impeachment. Ora, isso foi ótimo! A citação dos familiares e dos eleitores mostra que muitos parlamentares consideram a vergonha pessoal o olhar nos olhos do próximo como um valor essencial. Mais uma vez, a família venceu a quadrilha.
6. Não posso deixar de agradecer aos três deputados federais de Londrina. Eles ajudaram muito este repórter novato em Congresso Nacional. Marcelo Belinati foi de uma gentileza ímpar como sempre, desde os tempos de estudante. Alex Canziani e sua equipe me acolheram no gabinete e foram muito prestativos. Luiz Carlos Hauly, um dos principais articuladores do impeachment, com sua experiência de sete mandatos, garantiu meu acesso à Câmara. Muito obrigado aos três!
7. Quanto a Dilma, o que dizer? Sua única atitude razoável agora seria pedir ao Bessias para trazer o papel da renúncia.
Fale com o colunista: [email protected]


