AVENIDA PARANÁ
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de abril de 2016
por Paulo Briguet 
Meu dia de impeachment
Hoje é aniversário do meu filho, mas passarei só metade do dia com ele. À tarde, embarco para Brasília, onde vou acompanhar a votação do impeachment, como enviado especial da Folha. Já mandei lavar o terno e pedi ao Benê para dar aquele nó na gravata que só ele sabe.
Meu coração ficará menor por estar longe do Pedro em parte do seu dia, mas a verdade é que estou indo por causa dele. Da decisão deste domingo dependerá o futuro do Brasil e de nossos filhos. Se continuarmos do jeito que está, o Pedro e milhões de outras crianças não terão perspectivas no Brasil. A nação vai ser aniquilada, e talvez para sempre.
Mesmo aprovado o impeachment, teremos dias difíceis pela frente. Não será fácil reconstruir o País tendo como os incendiários petistas como opositores sistemáticos. Em um governo Temer, eles farão o possível e o impossível para sabotar as esperanças do povo. Continuarão chamando um instrumento constitucional de golpe; e farão isso para tentar esconder o verdadeiro golpe, que foi o estelionato eleitoral de Dilma Rousseff, o maior esquema de corrupção da história da humanidade e a consequente falência econômica e moral do País.
Estarei do lado de dentro do Congresso, mas meu coração estará do lado de fora, onde milhões de brasileiros acompanharão a sessão de impeachment como quem assiste à luta de uma pessoa amada contra a morte.
Meus sete leitores conhecem as minhas opiniões sobre a crise política brasileira. Mas, como repórter, tento seguir o exemplo de Euclides da Cunha. A verdade dos fatos, ainda que contrarie nossas expectativas, precisa estar acima de discursos e ideologias políticas.
Espero em Deus que não haja violência nem distúrbios no dia de amanhã. Sabemos que o lado governista está em desespero, mas precisamos manter a calma. "Calma é força", foi a frase que ouvi de uma sobrevivente de Auschwitz, e que levarei comigo para sempre na memória. A democracia depende de uma combinação exata entre serenidade e firmeza. "Não parar, não precipitar, não retroceder", ensinava o grande Paulo Mercadante.
Como eu já disse, domingo em russo quer dizer ressurreição. Creio que o nosso país começará a ressuscitar neste 17 de abril. Amanhã tem tudo para ser o dia em que o jornalismo se transforma em história diante dos nossos olhos.
Rezem pelo Brasil e por nossos filhos. Se sobrar um tempo, rezem um pouquinho por mim.
ERREI
Na minha coluna de ontem, ao narrar o piti do cantor petista no avião, errei o nome da companhia aérea. O episódio aconteceu em um avião da Gol. Peço desculpas.
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