Avenida Paraná Atualizado em 20/03/2016, 23:00
AVENIDA PARANÁ
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de março de 2016
por Paulo Briguet 
"O professor e filósofo Leonardo Prota, que morreu neste final de semana, era uma alma presidida pela sabedoria, cujo exemplo sempre nos servirá de inspiração"
A palavra presidente tem sido maculada nos últimos tempos. Felizmente, há homens que ainda honram a designação. No último sábado, Dia de São José, o Norte do Paraná perdeu um deles: o filósofo e professor Leonardo Prota, presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina. Eis um presidente digno do nome, cujo exemplo nos inspira a todos.
Ao longo dos últimos 50 anos, o professor Prota desenvolveu um belo trabalho de pesquisa e divulgação do conhecimento em todo o País. Em 1986, criou ao lado de Antônio Paim e Ricardo Vélez-Rodríguez, o Instituto de Humanidades, que se tornou uma referência do pensamento liberal e conservador no Brasil e na América Latina. Em nossa cidade, foi o responsável pela continuidade e reestruturação da Academia de Letras, após a morte do fundador e benemérito da entidade, Dr. João Soares Caldas, em 2013.
Uma das honras que já tive foi ser convidado a ocupar uma vaga entre os acadêmicos londrinenses. Honra tanto maior por saber que o convite viera do professor Prota. Mas o melhor prêmio para quem participa das reuniões da Academia era a presença do nosso presidente, sempre de uma gentileza e de serenidade ímpares. Se a arte da conversação é um dos pressupostos da vida civilizada, Prota era, além de intelectual, um civilizador. Suas palestras que podem ser lidas no site da Academia ficarão para sempre marcadas como pequenos tesouros da lucidez humana.
Na palestra de novembro de 2015 que não sabíamos, mas era a última , Prota evocou a imagem socrática do homem como uma carruagem conduzida por dois cavalos alados. O professor explicou a diferença entre os dois animais: "Um cavalo é nobre e generoso, atraído por tudo que há de elevado e perene, ao passo que o outro é apenas força bruta, incapaz de distinguir entre ideias e apetites rasteiros". Um é o cavalo do bem, da beleza e da verdade. O outro é o cavalo do poder, do prazer e da posse. Não preciso dizer qual foi o caminho escolhido pela carruagem de Leonardo Prota.
Em 85 anos de vida, Leonardo Prota distinguiu-se por fortalecer e alimentar tudo aquilo que eleva o espírito humano às alturas da perfeição divina. Sua alma era presidida pela sabedoria. Talvez por isso a morte do professor tenha deixado a todos nós, que o conhecíamos de perto, a impressão de que perdemos um jovem, uma pessoa no pleno exercício de suas qualidades e virtudes. Prota era puro entusiasmo, coragem e alegria de viver.
Não acredito em coincidências, nem acasos. O fato de nosso presidente Prota ter partido no Dia de São José me parece cheio de significado. José era acima de tudo um justo, um trabalhador, um homem que construía moradas. Não precisa dizer uma só palavra no Evangelho para que o amemos. Prota disse e escreveu muitas palavras sábias. Mas, a partir de agora, o seu silêncio será a nossa inspiração. Perguntaremos sempre a nós mesmos: O que o professor Prota diria agora?
Obrigado, mestre!
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