Já fui um grande admirador de Freud, a ponto de ter um enorme retrato dele no meu quarto de república. O pai da psicanálise era, de fato, um escritor excepcional. Mas a sua frase mais memorável não está em nenhum de seus muitos livros; foi escrita em 1938, quando ele teve que deixar Viena, ocupada pelos nazistas. Lou-Andreas Salomé, amiga e paciente de Freud, conseguiu um salvo-conduto e o consagrado médico, aos 81 anos, emigrou para a Inglaterra. Porém, antes de Freud embarcar para Londres, um oficial da Gestapo exigiu que ele escrevesse, de punho próprio, um documento dizendo que deixava o país por iniciativa própria e que não havia sofrido maus-tratos. O texto já estava pronto; bastava copiá-lo com a própria letra. Freud concordou sem discutir. No entanto, o humorista judeu que havia dentro dele fez somente um pedido: "Poderia acrescentar algumas palavras de agradecimento ao texto que o sr. me apresenta?" O oficial assentiu. Freud então escreveu a frase antológica: "De coração, recomendo a Gestapo a qualquer um".

Ao acrescentar aquela frase no documento, Sigmund Freud sabia que o oficial nazista não era capaz de compreender a piada. Um dos traços da mente autoritária é a incapacidade para a ironia. Portanto, são justamente essas as armas que o cidadão comum deve usar para combater os nacional-socialistas dos tempos atuais: a piada, a ironia, o humor — e às vezes o sarcasmo. O filósofo Roger Scruton atestou esse fato quando realizou cursos clandestinos para estudantes que haviam sido expulsos das universidades nos países comunistas: "Pessoas inteligentes sempre conseguem se erguer acima de seu meio, desde que se armem com as três grandes armas conservadoras: o humor, a ironia e o desprezo".

Todas as semanas eu me reúno com meus amigos do Clube dos Reaças. São jovens professores e intelectuais de nossa cidade, todos ligados pelo conservadorismo político e pela coragem de dizer o que pensam. Em nossas reuniões, a maior parte do tempo é dedicada a rir dos absurdos que vimos durante a semana. O bom de morar no Brasil é que nunca nos falta assunto: petistas, psolistas, comunistas, trotskistas, feministas, sem-terra — para não falar nos tucanos e nos liberteens — sempre nos oferecem farto combustível para gargalhadas.

Uma dos episódios que discutimos no último encontro foi a tentativa de carteirada da senadora paranaense Gleisi Hoffmann, que consistiu em mandar a advogada Janaína Paschoal calar a boca numa sessão da comissão de impeachment. A jurista, com grande ironia, lembrou um poema que havia escrito aos 10 anos de idade, intitulado "Não me calo". O sarcasmo foi evidente: Janaína, aos 10 anos, era mais inteligente do que a senadora aos 50.

Cala boca já morreu, companheiros. Mas não fiquem tristes: nós recomendamos vocês de todo o coração.

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