Atiradores do bem
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de abril de 2017
por Paulo Briguet 

Como hoje é Dia do Trabalho, nada melhor do que falar de quem acorda cedo para a labuta diária. Se você está lendo este texto agora pela manhã, é muito provável que faça parte dessa maioria portanto, aceite o abraço deste colunista.
Hoje eu gostaria de fazer uma homenagem a 160 jovens londrinenses que todos os dias acordam muito cedo, antes mesmo de o Sol nascer: são os meninos do Tiro de Guerra de Londrina.
Pois os meninos do TG deram uma bonita lição de solidariedade e civismo no mês que se passou. Utilizando seus horários livres, durante uma semana percorreram supermercados e residências da cidade e conseguiram arrecadar 38 toneladas de alimentos não perecíveis para o Hospital do Câncer de Londrina. Essa quantidade de alimentos é suficiente para suprir as necessidades do hospital durante cinco meses.
Um dos meus arrependimentos na vida é não ter servido o Exército. Em países como Estados Unidos e Israel, o serviço militar é não apenas motivo de orgulho pessoal como também um importante item do currículo profissional. Tenho esperança de que, no futuro, as novas gerações de brasileiros tenham uma nova visão das Forças Armadas. Quando os atletas campeões prestaram continência à bandeira nacional no pódio das Olimpíadas, vi que felizmente a situação começou a mudar e os velhos ressentimentos estão se dissipando. Ações como a TG contribuem muito para a consolidação de uma nova imagem do Exército.
Quando vejo esses meninos fardados em Londrina, vêm à minha mente, mais uma vez, a imagem de meu pai. Ele também acordava cedo, muito cedo. Em 1961, serviu o Exército em um quartel na cidade de São Paulo. Ele gostava de contar histórias de sua vida militar. Certa vez, o sargento o flagrou lendo um livro quando estava guarda. A punição foi ficar uma semana sem sair do quartel, onde era conhecido como "Catedrático" (por cursar Direito na USP). Creio que naquela noite ele estava lendo o livro de um de seus professores, Miguel Reale. Meu pai frequentemente sonhava com a vida no Exército, muitos anos depois de ter deixado o quartel. Aprendi com ele as patentes militares: soldado, cabo, sargento, subtenente, tenente, capitão, major, tenente-coronel, coronel, general.
Mas voltemos aos meninos que acordam cedo. Para o subtenente Silvio Barreto, chefe de instrução do TG, o maior benefício da ação solidária dos atiradores está no aprendizado de valores. "Os alimentos para o Hospital do Câncer são importantes, mas um dia acabam. O que não acaba, entretanto, são os valores de civismo, patriotismo, camaradagem e perseverança".
Parabéns, meninos do Tiro de Guerra! Vocês são os representantes legítimos do Brasil que acorda cedo para trabalhar e fazer o bem ao próximo.


